Banho de Axé reúne 100 terreiros em cortejo de fé e ancestralidade no Centro Histórico de São Luís
Evento ritualístico começa às 16h, sai da Praça Dom Pedro II e segue até a Nauro Machado, com caminhada, banhos simbólicos e show de Fernando de Iemanjá.
SÃO LUÍS - São Luís se prepara para viver, neste sábado (7), uma celebração que vai além da festa e do clima pré-carnavalesco. A partir das 16h, o Banho de Axé toma as ruas do Centro Histórico em um cortejo marcado por espiritualidade e resistência cultural dos povos e comunidades de matriz africana no Maranhão.
Mais do que um evento festivo, a iniciativa propõe um momento coletivo de bênçãos e proteção para a cidade e para o Carnaval, reunindo terreiros, grupos culturais e praticantes de religiões afro-brasileiras em uma caminhada carregada de simbolismos.
Cortejo pelas ruas do Centro
A concentração será na Praça Dom Pedro II, de onde o público segue em cortejo pela Rua do Egito, passando pela Avenida Beira-Mar, até chegar à Praça Nauro Machado. No destino final, o cantor Fernando de Iemanjá encerra a programação com apresentação musical.
Durante o percurso, os participantes realizam rituais com elementos sagrados, banhos simbólicos e manifestações culturais que representam a distribuição de axé, energia vital ligada à proteção, equilíbrio e prosperidade.
Tradição que prepara o Carnaval
O Banho de Axé surgiu em 2016, a partir de uma articulação do Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secma), com o objetivo de valorizar, dar visibilidade e promover respeito aos povos tradicionais de terreiro.
A proposta nasceu como uma forma de abençoar o período carnavalesco, pedindo caminhos abertos e boas energias para os dias de folia.
Desde então, o evento passou a integrar o calendário cultural do pré-Carnaval maranhense, reunindo entidades como a Federação de Umbanda e Culto Afro do Maranhão, a Rede Nacional de Religiões Afro-brasileiras e Saúde, o Fórum Estadual de Religiões de Matriz Africana, Mulheres de Axé do Brasil e o Conselho Estadual de Cultura.
Crescimento e fortalecimento da cultura afro-maranhense
De acordo com o gestor da Casa do Tambor de Crioula e organizador do evento, Neto de Azile, o crescimento da adesão ao longo dos anos demonstra a força da tradição.
“Quando nós começamos o Banho de Axé, eram aproximadamente 200 pessoas e somente 10 casas que aderiram. Agora, em 2026, teremos 102 terreiros e 28 grupos de capoeira, com previsão de adesão de 1.200 pessoas que compartilham a mesma tradição e a mesma fé”, destaca.
Para ele, a caminhada é uma oportunidade de celebrar a cultura afro-maranhense e reforçar a importância do respeito à diversidade religiosa.
“Queremos fazer uma grande celebração, preparando o Carnaval do Maranhão com muita fé, tradição, paz e axé. Todos serão bem-vindos, independentemente da religião”, convida.
Celebração aberta ao público
Aberto a toda a população, o Banho de Axé convida moradores e turistas a participarem do momento como forma de conexão cultural e espiritual com as raízes do estado.
Entre tambores, cânticos, danças e rituais, o cortejo transforma o Centro Histórico em um grande espaço de encontro coletivo, onde fé, memória e festa caminham lado a lado para dar início ao Carnaval com proteção e boas energias.
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