COLUNA
Pedro Sobrinho
A cultura é rica e diversa. Como jornalista convido você pra colar na coluna PEDRO SOBRINHO com resenhas e abordagens sobre: artes visuais (pintura, escultura, fotografia), música, literatura
Orgulho de Ser Brasileiro

No Carnaval o ideal é colocar o bloco na rua

Por sua grande abrangência (e também pelo feriado prolongado) é praticamente impossível ficar imune ao carnaval: ame-o ou odeio-o.

Pedro Sobrinho / Jornalista

Atualizada em 09/02/2026 às 21h01

 Já é carnaval, a festa mais popular do Brasil. Por sua grande abrangência (e também pelo feriado prolongado) é praticamente impossível ficar imune ao carnaval: ame-o ou odeio-o.

Banho de Axé pra celebrar o Carnaval de São Luís. Foto: Handson Chagas/Secom

Para alguns ressentidos de plantão o carnaval é uma festa “fedorenta, suja, invasiva e destrói a cidade”. Para os desinformados defensores da “cura gay”, o “carnaval é usado para promover promiscuidade, travestido de festa turística e cultural”.

Nas redes sociais, uma internauta escreveu: “Quem quer ficar seminua na rua não pode reclamar do machismo”. Ainda nessa linha de raciocínio, um professor cheio de purismo apontou em sua postagem que o carnaval é o “ópio dos brasileiros”.

O Sincretismo Religioso presente na Folia de Momo. Foto: Handson Chagas/Secom

No entanto, discursos anticarnaval, como os reproduzidos acima, nada mais são do que uma das várias facetas do histórico preconceito a tudo que remeta à população pobre e a qualquer tipo de exaltação à vida.

Carnaval não é sinônimo de alienação. Pelo contrário, nesse momento de catarse coletiva, as manifestações de descontentamento popular reverberam pelas ruas do país. Portanto, como bem disse o escritor Felipe Lucena, “alienado é quem só vê alienação no carnaval”.

Além dos argumentos ideológicos e das tentativas de despolitizar a festa mais popular do Brasil, há as justificativas econômicas contra o carnaval. Muitos afirmam que, se o poder público cancelasse os festejos carnavalescos, teríamos mais verbas para áreas como saúde e educação. Mais uma falácia.

A diversidade cultural brasileira representada no Carnaval pela Capoeira, arte marcial genuínamente brasileira. Foto: Handson Chagas

Qualquer pessoa que entenda minimamente sobre finanças públicas sabe que o montante arrecadado nos quatro dias de folia é bastante superior aos recursos investidos. Logo, o carnaval também é altamente rentável.

Obviamente, não gostar de carnaval é um direito de qualquer indivíduo. Porém, estragar a festa dos outros, querer militar sobre a fantasia alheia ou fazer campanha pelo fim do carnaval, não são apenas atos egoístas: significa negar um dos únicos momentos de alegria ao (sofrido) povo brasileiro.

Já dizia Pepe Mujica: "A vida não é só trabalhar. É preciso deixar um bom capítulo na vida de cada de um de nós. No Carnaval, a previsão de tempo é de chuva de confete, sol de alegria e 100% de chances de diversão.


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