COLUNA
Pedro Sobrinho
A cultura é rica e diversa. Como jornalista convido você pra colar na coluna PEDRO SOBRINHO com resenhas e abordagens sobre: artes visuais (pintura, escultura, fotografia), música, literatura
Música & Poesia

Uma boa leitura e uma boa música para tentar entender tempos sombrios

Nada como inspiração, a balada É Preciso Dar um Jeito, Meu Amigo, de Erasmo Carlos, gravada em 1971, por Roberto e Erasmo Carlos, tema do filme Ainda Estou Aqui (2024), de Walter Sales.

Pedro Sobrinho / Jornalista

Atualizada em 08/03/2026 às 14h49

Acordei no domingo cantarolando sem aquela afinação precisa, "È Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo", de Erasmo Carlos e Roberto Carlos. Gravada em 1971, a balada de Erasmo Carlos e Roberto Carlos, tornou-se o tema emblemático do filme Ainda Estou Aqui (2024), de Walter Salles. Melancólica e crítica, ´a canção foi gravada durante os anos de chumbo da ditadura, ressoa como símbolo de resistência e conformismo social na luta de Eunice Paiva.

Capa de Carlos, Erasmo e cena de Ainda Estou Aqui (Fotos: Divulgação)

A música representa uma fase mais madura e engajada do "Tremendão", afastando-se da Jovem Guarda. A letra fala sobre indignação, não se acomodar e a urgência de ação diante da realidade do Brasil em 1971.

A música se afina com o tom sóbrio do filme de Walter Salles, retratando a melancolia e a sobriedade da época. Trechos como "não vou ficar parado no conforto acomodado" espelham a luta de Eunice Paiva pela verdade sobre o desaparecimento de seu marido, Rubens Paiva.

Com o sucesso do filme e suas indicações internacionais, a música, que é uma composição de parceria com Roberto Carlos, ganhou nova vida, tornando-se um "hino" de memória histórica para as novas gerações e um destaque no cenário internacional.

A inclusão da faixa é descrita como essencial para a narrativa do filme, ajudando a preservar a memória histórica e destacando o papel da arte na resistência. E mais retrata a verdade nua e crua de um Brasil quase sem memória.

Viver em sociedade é um desafio porque às vezes ficamos presos a determinadas normas que nos obrigam a seguir regras limitadoras do nosso ser ou do nosso não ser...

Quero dizer com isso que nós temos, no mínimo, duas personalidades: a objetiva, que todos ao nosso redor conhece; e a subjetiva... Em alguns momentos, esta se mostra tão misteriosa que se perguntarmos - Quem somos? Não saberemos dizer ao certo!

Agora de uma coisa eu tenho certeza: sempre devemos ser autênticos, as pessoas precisam nos aceitar pelo que somos e não pelo que parecemos ser...

Com a minha verdade aprendi a ter lado, mas conviver com o diferente. Embora não seja uma tarefa fácil quando o diferente se traduz como inconveniência. Mas, na vida devemos ter jogo de cintura, usar da sabedoria, pra tentar interpretar as pessoas e o mundo.

Ao começar mais um ano, em que troco de idade, a velhice chega e com ela a maturidade, os valores mudam. E nessa mutação da vida o que resta é separar o joio do trigo, filtrar o que me faz bem e o que me causa incômodo. E não mais entender os problemas mal resolvidos em algumas pessoas, até porque os meus tenho procurado resolver com uma boa leitura, aquela música que faz bem aos meus ouvidos, ou ouvindo a voz da sabedoria.

No mais, ser verdadeiro em uma sociedade focada na conveniência, falsidade, egoísmo, na mentira é, de fato, um desafio revolucionário.

Em resumo, em um mundo de gente sombria (como a caverna de Platão), ser de verdade é um ato de coragem que demanda, acima de tudo, coragem para ser diferente.


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