COLUNA
Pedro Sobrinho
A cultura é rica e diversa. Como jornalista convido você pra colar na coluna PEDRO SOBRINHO com resenhas e abordagens sobre: artes visuais (pintura, escultura, fotografia), música, literatura
Sétima Arte

Após o Oscar 2026 em Hollywood veio o dia seguinte no Brasil

Os filmes brasileiros O Agente Secreto e Sonhos de Trem não conquistaram as estatuetas do Oscar, mas deixaram como legado o molho brasileiro em fazer cinema

Pedro Sobrinho / Jornalista

Atualizada em 16/03/2026 às 22h16

O cinema brasileiro tem rodado o mundo mostrando a nossa cara, a nossa cultura e o nosso jeito de ser, que o Brasil é o país do futebol, do carnaval, das paisagens belas e inesquecíveis, mas também o país do cinema.

Em 2026, com o Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, o molho baiano de Wagner Moura e todo o elenco, o Brasil se mobilizou em torcida e festa. E o sentimento que fica é um só: orgulho de ser brasileiro.

Elenco de 'O Agente Secreto' posa na entrada o Dolby Theatre antes da cerimônia do Oscar 2026. Foto: Reprodução/Google

O Oscar e suas estratégias de marketing

Segundo a cantora baiana Larissa Luz, o Oscar é uma premiação norte-americana, construída dentro de uma indústria que historicamente centralizou o olhar do mundo sobre o que seria o “grande cinema”. "Então por que isso ainda mexe tanto com a gente? Porque, gostemos ou não, essa vitrine tem efeitos muito concretos. Quando um filme brasileiro chega ali, não é apenas uma celebração simbólica , abre portas reais. Aumenta o interesse de distribuidores internacionais por filmes brasileiros. Plataformas passam a olhar com mais atenção para nossas produções. Coproduções internacionais ficam mais viáveis. Festivais ampliam convites.Investidores entendem que aqui existe uma indústria pulsando. E isso muda trajetórias. Porque um ator indicado não leva só o próprio talento. Leva roteiristas, técnicos, diretores, montadores, figurinistas, músicos. Leva histórias que nasceram aqui", explica Larissa.

"Existe, claro, uma contradição nisso tudo. É curioso perceber como, muitas vezes, o reconhecimento global ainda passa pelo olhar de fora. Como se o mundo precisasse carimbar aquilo que nós já sabemos: que nosso cinema é potente. Mas talvez maturidade cultural seja justamente saber sustentar as duas verdades ao mesmo tempo. Não precisamos do Oscar para validar nossa arte. Mas quando ela chega lá, o alcance aumenta. E o alcance importa. Porque cada presença abre um pouco mais de espaço para as próximas histórias que ainda vão ser contadas.

Enfim, não vencemos mais celebremos, sobretudo, a caminhada. Porque chegar até lá já é, por si só, um grande acontecimento.

Fazer Arte não é competição

O que, ainda, entristece é saber de gente que não entende que fazer arte não é competição. Fazer arte é uma política cultural, social, econômica e de Estado. Fazer arte é transformar emoções em realidade, curar a alma e colorir o mundo. É um ato de amor, dedicação e liberdade que eterniza sentimentos e molda a alma do criador, permitindo que a criatividade flua das mãos e mente. Criar é um refúgio que torna a vida mais suportável. Fazer arte salva, cura, espiritualiza, humaniza e mobiliza uma Nação.

Desvalorizar a arte é silenciar o grito da alma que tenta consertar um mundo de gente torta, doente, ressentida e do quanto pior melhor, para polarizar em uma pauta que não convém: a de se fazer arte com amor, dedicação, desafios e entregas.

Como referência para melhor tradução do que é fazer arte menciono sempre  Nietzsche e  o poeta maranhense Ferreira Gullar. A arte existe para que a realidade não nos destrua." — Nietzsche. A arte existe porque a vida não basta." — Ferreira Gullar. PALAVRA DA SALVAÇÃO!!!


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