Edinanci perde e mantém tabu "machista" do judô

Atualizada em 27/03/2022 às 15h00

SÃO PAULO - Esporte mais laureado na história olímpica do Brasil, o judô passará mais quatro anos sendo um território estritamente masculino nos Jogos. As mulheres terminaram nesta quinta-feira a participação em Atenas, com a derrota da meio-pesada Edinanci Fernandes da Silva para a italiana Lucia Morico, na decisão da repescagem.

Nesta sexta, quando acontecem as disputas da categoria pesado, o país não possui uma representante -somente Daniel Hernandez vai ao tatame.

Criticada por apatia, Edinanci (branco) sofre golpe da italiana Lucia Morico

A judoca paraibana, que completa 28 anos na próxima segunda (23), pecou pelos mesmos erros que tiraram sua chance de disputar o ouro -apatia.

Edinanci começou o combate sofrendo um koka (pontuação mínima) devido à falta de combatividade. Daí, os próprios companheiros de seleção começaram a gritar das arquibacadas do ginásio Ano Liossia para ela entrar na luta.

Mesmo em vantagem, a rival italiana (pódio nos três últimos Europeus, com duas pratas e um ouro) conseguiu encaixar dois golpes -um waza-ari (segunda maior pontuação) e um yuko (terceira).

Por seu lado, Edinanci só conseguiu um koka, após pegar Morico pelas pernas e jogá-la ao chão. "A pior coisa que tem no esporte é um atleta indolente, que não grita. Assim não tem como ganhar", sentenciou Rogério Sampaio, ouro em Barcelona-1992.

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O coro foi único: "Pelo que a gente conhece da Edinanci, esperávamos uma medalha. Ainda estou de cabeça quente para analisar, mas, num primeiro momento, o que me parece é que faltou agressividade", afirmou Floriano de Almeida, técnico da seleção feminina. "Faltou vibração", disse Vânia Ishii.

Até o momento, o judô brasileiro conquistou 12 medalhas (dois ouros, três pratas e sete bronzes -já somados os obtidos pelo ligeiro Leandro Guilheiro e pelo leve Flávio Canto). A vela e o atletismo também, porém ainda estão em disputa na Grécia.

Edinanci, que só perdeu da francesa Celine Lebrun por causa da passividade

Edinanci, bronze nos Mundiais de 1997 e 2003 e ouro no Pan de Santo Domingo-03, era também uma das maiores esperanças de pódio para Ney Wilson, chefe da delegação brasileira de judô, ao lado do médio Carlos Honorato, que fracassou na quarta-feira. "Voltamos do Mundial com três pódios (bronze com Edinanci, Honorato e Mário Sabino), então a expectativa é a mesma", afirmara o dirigente, antes do início da competição.

Edinanci foi beneficiada no sorteio e estreou direto nas oitavas-de-final. Passou sem dificuldades pela tunisiana Houda Ben Daya, com ippon aos 3min15, mas perdeu a chance de disputar o título na luta seguinte, em que também foi criticada por passividade. Após empate sem pontos nos cinco minutos do tempo normal, sofreu uma punição e deixou a vaga nas semifinais para a francesa Celine Lebrun.

Na primeira luta da repescagem, a brasileira obteve mais um triunfo com antecedência. Impôs dois waza-aris sobre a norte-americana Nicole Kubes.

As outras brasileiras que disputaram a Olimpíada foram a ligeiro Daniela Polzin, a meio-leve Fabiane Hukuda, a médio Vânia Ishii (que perderam logo na estréia) e a meio-médio Danielle Zangrando (que caiu na segunda rodada).

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