BRASÍLIA – O banqueiro Daniel Vorcaro deve apresentar em abril proposta de delação premiada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). O acordo pode incluir informações sobre operadores acima dele no esquema de fraudes envolvendo o Banco Master.
Segundo investigadores, o relatório não deve tratar apenas de políticos e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mas também de pessoas que estariam acima do próprio Vorcaro na estrutura financeira investigada.
Operadores acima do banqueiro
De acordo com as apurações, pelo menos duas pessoas teriam posição superior à de Vorcaro no esquema que usava fundos para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master e desviar recursos.
A expectativa é que a delação detalhe como funcionavam essas operações e quem comandava o sistema.
Relação com ministros do STF
Os investigadores também querem que Vorcaro explique a relação que manteve com os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
No caso de Toffoli, o ministro afirma que não há irregularidade e que a única ligação conhecida é a venda de parte do resort da família dele para um fundo ligado ao banco.
Em relação a Alexandre de Moraes, investigadores dizem que havia proximidade entre os dois, principalmente após a contratação do escritório de advocacia da esposa do ministro, por cerca de R$ 3,6 milhões por mês.
Até o momento, segundo as investigações, não há indício de que Moraes tenha tomado decisão que tenha beneficiado diretamente o banqueiro.
Políticos e operações financeiras
A delação também deve abordar a participação de políticos.
Investigadores afirmam que alguns líderes partidários, que antes atuavam principalmente com emendas parlamentares, passaram a realizar operações financeiras consideradas ilegais dentro do esquema ligado ao Banco Master.
Esses fatos devem ser incluídos na proposta de colaboração.
Próximos passos
Depois que Vorcaro entregar a proposta, a PF e a PGR vão analisar o conteúdo.
Os órgãos podem aceitar, rejeitar ou pedir mudanças no acordo.
Se a delação for aprovada, ela ainda precisará ser homologada pelo ministro André Mendonça, relator do inquérito do Banco Master no STF.
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