IMPERATRIZ – Um ano após o caso que comoveu o Brasil, a dor ainda é parte constante da rotina de Mirian Lira, de 37 anos. Sobrevivente do envenenamento provocado por um ovo de Páscoa em Imperatriz (MA), ela tenta recomeçar longe do cenário da tragédia, mas ainda convive com o luto pela perda dos dois filhos, de 7 e 13 anos.
A história, que parecia caminhar para uma resolução rápida, segue sem desfecho judicial. A acusada pelo crime, Jordélia Pereira Barbosa, ainda não foi julgada após recursos apresentados pela defesa.
Recomeço marcado pela dor
Hoje vivendo em Palmas (TO), Mirian tenta reconstruir a vida, mas descreve o vazio deixado pela ausência dos filhos como irreparável. Em entrevista, ela relata a dificuldade de lidar com a perda mesmo após um ano.
“Minha vida era eu e eles. Depois do que aconteceu, ficou um vazio. Até hoje eu não consigo aceitar. Parece que estou vivendo um pesadelo”, disse.
Segundo ela, o impacto da tragédia vai além do momento da notícia. O dia a dia, afirma, é ainda mais difícil, especialmente diante das lembranças.
Como tudo aconteceu
O caso teve início quando Mirian e os filhos receberam um ovo de Páscoa entregue por um mensageiro. Após consumirem o chocolate, os três começaram a passar mal. Pouco antes, uma mulher desconhecida havia ligado para confirmar o recebimento do doce.
Na época, Mirian acreditou que o presente havia sido enviado pelo companheiro, com quem havia retomado contato meses antes. A suspeita, segundo a Polícia Civil, teria motivação passional, ligada ao relacionamento da vítima com o ex-marido dela.
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Mesmo após mensagens enviadas pela acusada nas redes sociais, Mirian afirma que não interpretou o contato como ameaça.
“Ela dizia que queria voltar com ele e que Deus ia cobrar de mim. Mas nunca achei que poderia chegar a esse ponto”, relembra.
A dor de não se despedir
O filho mais novo, Luís Fernando, foi o primeiro a apresentar sintomas graves e não resistiu após dar entrada no hospital. Mirian, que também foi internada e ficou em coma induzido por dois dias, só soube da morte do menino depois que ele já havia sido sepultado.
A filha mais velha, Evelyn Fernanda, ainda permaneceu internada por alguns dias, mas também morreu em decorrência das complicações.
Mesmo debilitada, Mirian conseguiu autorização para participar do enterro da filha. Ela descreve os dois como crianças carinhosas, unidas e cheias de vida.
“Eles eram tudo para mim. Muito especiais, únicos”, disse.
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Investigação aponta disfarces
De acordo com a investigação, a acusada utilizou disfarces para comprar o chocolate e tentou dificultar sua identificação. Imagens de câmeras de segurança registraram a compra do produto.
Ela também teria usado nome falso e até um crachá adulterado para se hospedar em um hotel na cidade. Após ser presa, confessou a compra do ovo, mas negou ter colocado veneno.
Julgamento ainda sem data
Apesar de estar presa desde abril de 2025 e de já ter sido denunciada pelo Ministério Público, a acusada ainda aguarda julgamento. O Tribunal de Justiça do Maranhão determinou que ela vá a júri popular, mas recursos da defesa seguem em análise.
Mirian afirma que ainda não recebeu informações sobre a data do julgamento e destaca que a sensação de justiça só será completa com a condenação.
“A Justiça foi rápida no início, mas ainda falta o principal. A gente espera por esse momento”, afirmou.
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