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Flávio Bolsonaro participa de audiência nos EUA sobre tarifaço

Flávio Bolsonaro discursará no USTR contra a tarifa de 25% e medidas sobre o PIX; prazo para acordo entre Brasil e EUA termina em 15 de julho

Ipolítica, com informações do g1

Flávio Bolsonaro participa de audiência do USTR sobre o tarifaço dos EUA contra produtos brasileiros e defenderá negociação entre os dois países. (Divulgação)

WASHINGTON – O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participa nesta terça-feira (7), em Washington, de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para discutir o tarifaço proposto pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros.

Durante a audiência, Flávio Bolsonaro deve defender a retirada da tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros e se posicionar contra eventuais medidas envolvendo o PIX. O senador desembarcou na capital americana neste domingo (5) e participará da sessão ao lado de representantes da indústria brasileira e norte-americana.

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Tarifaço em debate

A audiência integra a consulta pública realizada pelo USTR sobre a investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que questiona políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, ao PIX, à propriedade intelectual, ao etanol, ao desmatamento e ao combate à corrupção.

Na manifestação enviada ao órgão na semana passada, Flávio Bolsonaro afirmou que o PIX não substitui cartões de crédito e sugeriu que o sistema brasileiro de pagamentos não seja conectado a plataformas de liquidação internacionais consideradas "não ocidentais".

O senador também pediu que os Estados Unidos adiem por 180 dias a aplicação das tarifas e argumentou que as sanções fortaleceriam politicamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sem alterar as políticas brasileiras questionadas pelos norte-americanos.

Governo mantém negociações

Enquanto Flávio participa da audiência, o governo brasileiro optou por não fazer pronunciamentos no evento e enviou apenas representantes da Embaixada do Brasil em Washington para acompanhar os debates como observadores.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a estratégia continua sendo priorizar as negociações diplomáticas e técnicas com autoridades americanas.

Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, reuniu-se com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O governo brasileiro apresentou propostas sobre os pontos questionados na investigação, mas ainda aguarda uma resposta formal.

O prazo para que Brasil e Estados Unidos cheguem a um acordo termina em 15 de julho.

Investigação comercial

Em junho, o USTR concluiu uma investigação segundo a qual determinadas políticas brasileiras seriam prejudiciais ao comércio americano e recomendou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

O relatório cita temas como o funcionamento do PIX, a regulação de plataformas digitais, acordos comerciais, combate ao desmatamento, acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual e políticas anticorrupção.

Paralelamente, outra investigação conduzida pelos Estados Unidos propôs uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos de países que, segundo o governo americano, não fiscalizam adequadamente a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação de integrantes do governo brasileiro, as duas medidas podem ser cumulativas, elevando a taxação para até 37,5% sobre parte das exportações aos Estados Unidos.

Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty avaliam que dificilmente o tarifaço será revertido integralmente, mas trabalham para reduzir seu alcance ou ampliar a lista de produtos que poderão ficar de fora das novas tarifas.

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