SÃO LUÍS - Uma garagem de ônibus do sistema urbano, localizada no bairro Cohama, em São Luís, está inoperante nesta sexta-feira (13), dia de greve no transporte público da capital. Enquanto isso, os passageiros enfrentam dificuldades nas ruas.
No local, nenhum coletivo saiu para circulação. A área permanece cheia de ônibus estacionados. Na fachada da garagem, chama atenção uma placa informando que a empresa está contratando motoristas.
Greve parcial: apenas ônibus semiurbanos estão rodando na Grande São Luís
Apenas ônibus do sistema semiurbano estão circulando na manhã desta sexta-feira (13). Os coletivos da frota semiurbana atendem linhas que ligam São Luís a bairros e municípios da Região Metropolitana, como São José de Ribamar, Raposa e Paço do Lumiar, e saíram das garagens nas primeiras horas do dia após o pagamento dos trabalhadores.
Falta de pagamento causa greve de ônibus no sistema urbano
Diferente do cenário observado no semiurbano, a situação do sistema de transporte público urbano de São Luís permanece indefinida. Até o momento, não houve nenhum indicativo por parte das empresas sobre o pagamento dos trabalhadores das linhas urbanas, o que deve manter na paralisação dos coletivos da capital maranhense.
O Sindicato dos Rodoviários informou que a categoria está em alerta e destacou os seguintes pontos:
- Acompanhamento rigoroso: O sindicato segue monitorando a situação para garantir que os direitos da categoria sejam respeitados.
- Abertura ao diálogo: A entidade afirma que permanece aberta às negociações para evitar o agravamento da crise.
- Cobrança ao SET: Os rodoviários cobram soluções imediatas do Sindicato das Empresas de Transportes (SET) que assegurem o cumprimento da decisão judicial.
Greve de ônibus agrava crise no transporte coletivo
A nova greve de ônibus ocorre em meio a uma série de problemas enfrentados pelo sistema de transporte coletivo de São Luís desde o início do ano. A população tem convivido com ameaças de paralisação, interrupções no serviço e redução de linhas.
De acordo com o sindicato, cerca de 4,5 mil a 5 mil trabalhadores atuam atualmente no sistema de transporte público da Grande São Luís.
Durante a entrevista, Marcelo Brito também afirmou que algumas empresas chegaram a descontar valores referentes aos dias de paralisação ocorridos anteriormente, mesmo após acordo firmado na Justiça do Trabalho.
“O que foi acordado no tribunal é que os dias parados seriam compensados com o trabalho de uma folga por mês. Algumas empresas fizeram desconto, mas isso já está sendo corrigido e os valores devem ser devolvidos”, afirmou.
Acordo mediado pelo Ministério Público
Em fevereiro, após uma paralisação no sistema, foi firmado um acordo mediado pelo Ministério Público do Maranhão (MP-MA) para garantir a retomada da circulação dos coletivos na capital.
Entre os pontos definidos estava o pagamento integral dos salários atrasados dos trabalhadores do sistema urbano.
De acordo com a promotora de Justiça Lítia Cavalcante, o objetivo da negociação foi reduzir os impactos da paralisação para a população e para as atividades econômicas da cidade.
Ministério Público cobra medidas para o transporte público
Paralelamente às negociações, o Ministério Público do Maranhão ingressou com uma Ação Civil Pública contra a Prefeitura de São Luís, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (SET), os consórcios responsáveis pela operação do sistema e as empresas de ônibus.
Na ação, o órgão solicita a adoção de medidas urgentes para regularizar o funcionamento do transporte coletivo na capital.
Entre as propostas apresentadas está o aumento do subsídio pago às empresas por passageiro transportado, que atualmente é de R$ 1,35 e poderia passar para R$ 2,15, como forma de garantir o equilíbrio financeiro do sistema e evitar novas interrupções no serviço.
Em nota, a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) se manifestou.
Veja a nota na íntegra:
"A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) informa que a greve registrada nas primeiras horas desta sexta-feira (13) no sistema de transporte urbano de São Luís decorre do não cumprimento, por parte das empresas de ônibus, da decisão recente da Justiça do Trabalho que determinou a implementação de reajuste salarial e a concessão de benefícios aos trabalhadores rodoviários.
Mesmo após a decisão judicial, as empresas não garantiram aos trabalhadores as vantagens determinadas pela Justiça do Trabalho, o que levou à greve no sistema urbano de transporte público.
A SMTT esclarece que vem cumprindo regularmente todas as suas obrigações financeiras com o sistema de transporte público, com os repasses do subsídios às empresas sendo realizados em dia, sem qualquer dedução ou atraso.
Diante disso, causa estranheza o fato de que, mesmo recebendo regularmente os recursos devidos pelo Município, as empresas não tenham garantido a implementação do reajuste e beneficíos assegurados aos trabalhadores rodoviários.
Para reduzir os impactos da greve, a Prefeitura adotou medidas emergenciais, como a liberação de vouchers para utilização em aplicativos de transporte, garantindo alternativa de deslocamento aos usuários do sistema de transporte público enquanto o serviço permanecer comprometido. Os vouchers já foram disponibilzados para os usuários já cadastrados no sistema disponilizado pela prefeitura anteriormente.
A Prefeitura informa ainda que ingressou nesta quinta-feira (12) com ação na Justiça do Trabalho requerendo a declaração de abusividade da greve, bem como a adoção de medidas efetivas que assegurem a circulação mínima do transporte coletivo, conforme determina a legislação aplicável aos serviços essenciais. A lei é clara ao estabelecer que, em atividades dessa natureza, não é admitida a interrupção total do serviço, devendo ser garantido o atendimento mínimo à população.
A SMTT segue acompanhando a situação de forma permanente e adotando todas as medidas necessárias para assegurar o restabelecimento do serviço e resguardar os direitos dos usuários do transporte público de São Luís."
Saiba Mais
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