COLUNA
Cristiano Sardinha
Cristiano Sardinha é escritor, professor e tabelião. Mestre em Cultura e Sociedade pela UFMA e Doutor em Direito Constitucional pela UNIFOR, é autor de romances e livros jurídicos.
Cristiano Sardinha

A música e o tempo

De maneira pragmática, podemos dizer que o passado não é lugar de morada, o futuro é incerto e somos donos apenas do presente.

Cristiano Sardinha

Atualizada em 22/04/2026 às 14h37
De maneira pragmática, podemos dizer que o passado não é lugar de morada, o futuro é incerto e somos donos apenas do presente. (Divulgação)

A marcha do tempo é implacável. Mal percebemos as horas passando e os dias rapidamente transformam-se em anos, depois em décadas que escorrem pelos dedos como a fina areia da praia que tentamos segurar. Contudo, a música possui a incrível capacidade de transportar a mente para além das fronteiras do tempo, onde podemos reviver momentos que tocaram o coração.

A banda Guns N’ Roses, que fez bastante sucesso durante os anos 80 e 90, está percorrendo várias regiões do Brasil em uma série de shows que tem arrastado multidões. Grande parte desse público enfrenta intermináveis horas de fila, sob sol e chuva, não apenas para ouvir: Sweet Child O' Mine, November Rain, Welcome to the Jungle ou Don't Cry, mas por conta das memórias afetivas que são embaladas por essas músicas.

Durante os solos de guitarra de Slash e os timbres agudos da voz de Axl Rose, parece existir uma máquina do tempo que hipnotiza as pessoas e as teletransporta para outras dimensões. Obviamente que nem todos são suscetíveis a esse efeito. Para a “magia” acontecer é preciso uma dose considerável de nostalgia e imaginação.

De maneira pragmática, podemos dizer que o passado não é lugar de morada, o futuro é incerto e somos donos apenas do presente. De acordo com as teorias de Albert Einstein, o tempo é relativo e passa de diferentes formas, a depender da perspectiva. Sendo assim, passado, presente e futuro estão entrelaçados e diferenciá-los não passa de uma "ilusão persistente" do cérebro humano.

Compreender a passagem do tempo não é tarefa fácil; estamos ainda muito longe de conhecer a sua essência e de administrá-lo da maneira devida. Para os que gostam de um bom rock, as cordas de uma guitarra podem funcionar como fios que costuram lembranças, emoções e instantes vividos. 

Talvez seja justamente essa a grande dádiva da música: não interromper o tempo, mas torná-lo eterno dentro de nós.


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