COLUNA
Geraldo Carvalho
Economista, MBA pela USP e mestre em gestão de empresas
Geraldo Carvalho

A Economia do Crime: O Impacto Macroeconômico dos Furtos de Celular em São Luís

O impacto de uma taxa tão elevada de criminalidade sobre esses aparelhos afeta diretamente a macro e a microeconomia local

Geraldo Carvalho

A capital do Maranhão, ficou mal na foto essa semana, os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública confirmam que São Luís registrou a maior taxa proporcional de roubos e furtos de celulares do Brasil em 2025, pelo segundo ano consecutivo. Foram mais de 16 mil aparelhos levados na capital maranhense, uma média impressionante de 45 dispositivos subtraídos por dia.

Ranking das 10 cidades com maiores taxas de roubo e furto de celular em 2025

Para a ciência econômica, o celular deixou de ser apenas um bem de consumo; ele se tornou um bem de capital essencial e o principal intermediário financeiro das famílias. O impacto de uma taxa tão elevada de criminalidade sobre esses aparelhos afeta diretamente a macro e a microeconomia local.

O primeiro e mais evidente impacto econômico é a perda instantânea de patrimônio. Considerando o preço médio de um smartphone intermediário no Brasil, o desvio de mais de 16 mil aparelhos representa uma perda direta de dezenas de milhões de reais que saem do orçamento das famílias de São Luís.

Como o aparelho se tornou indispensável, o consumidor é forçado a fazer uma “substituição emergencial”. Esse gasto imprevisto reduz a renda disponível que seria direcionada para outros setores da economia local — como comércio de bens duráveis, serviços, lazer e alimentação, gerando um efeito de retração no consumo agregado regional.

A necessidade de reduzir o risco desse crime gera o que nós economistas chamamos de “custos de transação” elevados. O poder público é obrigado a descentralizar recursos orçamentários para financiar programas de contingência e recuperação, como o projeto estadual “Meu Celular de Volta”. Verbas públicas que poderiam ser destinadas à infraestrutura, saúde ou atração de investimentos produtivos acabam mobilizadas na contenção do mercado ilegal de receptação de peças e aparelhos.

Há queda na produtividade. O smartphone é a ferramenta essencial de trabalho de uma parcela expressiva da força de trabalho autônoma (motoristas de aplicativo, entregadores, prestadores de serviço e microempreendedores). A perda do aparelho paralisa a atividade econômica individual instantaneamente. O período de inatividade forçada para a aquisição de um novo aparelho reduz o Produto Interno Bruto (PIB) municipal por meio da perda de dias trabalhados e descontinuidade de pequenos negócios digitais.

Afeta também o turismo, os dados apontam que quase 15,2% dos furtos ocorrem dentro de estabelecimentos comerciais em São Luís. Esse cenário altera o comportamento do consumidor, gerando uma retração no fluxo de circulação em áreas comerciais tradicionais e à noite, em especial comércio de rua. A percepção de insegurança afeta diretamente setores sensíveis da economia ludovicense:

 Lojistas enfrentam custos adicionais com segurança privada e monitoramento. Um posto de guarda armado 24 horas custa mais de 25 mil reais. Para um pequeno negócio é inviável.

 Sendo São Luís um polo turístico cultural e histórico, a repercussão nacional do ranking de furtos cria barreiras intangíveis na atração de visitantes, impactando a hotelaria, a gastronomia e o setor de eventos locais.

6,1% dos aparelhos são furtados no transporte público, o ludovicense além de ter um serviço de ônibus ruins, acaba optando por financiar moto ou carro, aumentando o número de acidentes, saturando as ruas e elevando os custos de saúde e previdência, por medo de usar os ônibus.

Esse dado horroroso é mais de 4x superior à média nacional. Em resumo, o alto índice de furtos de celulares em São Luís atua como um imposto invisível sobre a eficiência da cidade. Ele drena a liquidez financeira das famílias, eleva os custos operacionais do setor privado e redireciona os recursos públicos para atividades não produtivas (segurança repressiva), desacelerando o potencial de crescimento econômico sustentável da capital.

A violência sempre é um fator nocivo a economia de várias formas e o combate a ela deve ser feito de todas as formas, em especial com políticas inteligentes e eficazes. Aliás é um dos tópicos que mais preocupam as pessoas e influenciam o voto dos eleitores.


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