Eleições 2026

Pré-candidato a Presidência pelo PRTB é réu por violência política e associação criminosa

Leonardo Avalanche é acusado pelo Ministério Público de fraude na eleição interna do partido; político nega as acusações e diz que fará sua defesa.

Ipolítica, com informações de O Globo

Pré-candidato do PRTB à Presidência, Leonardo Avalanche é réu na Justiça Eleitoral de SP por violência política e associação criminosa. (Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo)

BRASIL – O presidente nacional do PRTB e pré-candidato à Presidência da República, Leonardo Avalanche, é réu na Justiça Eleitoral de São Paulo pelos crimes de violência política e associação criminosa. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público em janeiro deste ano e recebida pela Justiça três meses depois. O político nega as acusações e afirma que irá contestá-las judicialmente.

Segundo o promotor Renato Kim Barbosa, Leonardo Avalanche teria articulado uma fraude na eleição interna do PRTB, realizada em janeiro de 2024, utilizando pessoas que se passaram por fundadoras da legenda com documentos de identidade falsificados para garantir sua eleição à presidência do partido.

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Ministério Público aponta fraude e violência política

Além da suposta fraude na disputa interna da legenda, o Ministério Público acusa Leonardo Avalanche de perseguir politicamente a correligionária Rachel de Carvalho após assumir o comando do PRTB.

De acordo com a denúncia, o dirigente teria assediado, ameaçado, constrangido e humilhado a integrante do partido, utilizando ofensas misóginas para dificultar o desempenho de seu mandato político.

O processo, que tramita sob segredo de Justiça, também relata ameaças de morte atribuídas ao pré-candidato.

Ameaças também são investigadas na esfera criminal

As supostas ameaças contra Rachel de Carvalho também são objeto de uma ação criminal na Justiça Estadual.

Em depoimento, a correligionária afirmou que Leonardo Avalanche a intimidou durante um encontro realizado em um restaurante na Mooca, Zona Leste de São Paulo. Segundo o relato, ele teria dito que ela deveria "se despedir dos familiares" ao receber uma determinada mensagem.

O processo segue em tramitação.

Defesa diz que acusações serão contestadas

Em nota, Leonardo Avalanche afirmou que irá rebater todas as acusações apresentadas pelo Ministério Público.

O pré-candidato sustenta que o recebimento da denúncia não representa condenação e que exercerá o direito ao contraditório e à ampla defesa para demonstrar que os fatos narrados não correspondem à realidade.

Sobre as acusações de ameaça, o dirigente afirmou que os episódios decorrem de disputas administrativas e políticas internas no PRTB (veja mais abaixo).

Processo no Distrito Federal apura suposta fraude eleitoral

Além da ação em São Paulo, Leonardo responde a um processo na Justiça Eleitoral do Distrito Federal por suposta fraude na eleição interna do partido.

Segundo a investigação, também sob sigilo, ele teria recrutado falsos fundadores da legenda no DF e afirmado possuir influência indevida junto a ministros de tribunais superiores, incluindo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A denúncia também aponta que, durante uma operação de busca e apreensão, investigadores encontraram diálogos que indicariam o controle irregular de acessos, senhas e credenciais do sistema Filia para excluir adversários políticos da legenda.

Em maio, a Justiça determinou o compartilhamento das provas reunidas no Distrito Federal com o processo que tramita em São Paulo.

Projeção nacional na campanha de Pablo Marçal

Leonardo Avalanche ganhou projeção nacional ao coordenar a campanha de Pablo Marçal à Prefeitura de São Paulo, em 2024.

Na época, também foi alvo de questionamentos após surgirem suspeitas de ligação com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). O dirigente negou qualquer vínculo com a facção criminosa e afirmou que os áudios divulgados poderiam ter sido produzidos por ferramentas de inteligência artificial.

Em janeiro deste ano, Pablo Marçal chegou a anunciar que disputaria a Presidência da República pelo PRTB, mas, em março, deixou a legenda e se filiou ao União Brasil.

Leia a nota na íntegra

Em relação à informação mencionada, esclareço que contesto integralmente todas as acusações formuladas pelo Ministério Público. A denúncia apresenta uma narrativa que será amplamente enfrentada pela defesa no curso do processo, com a produção das provas cabíveis e o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.

É importante destacar que o recebimento de uma denúncia não representa condenação, nem significa que as alegações nela contidas tenham sido reconhecidas como verdadeiras pelo Poder Judiciário. Trata-se de uma decisão processual que apenas autoriza o prosseguimento da ação penal para que os fatos sejam devidamente apurados durante a instrução, oportunidade em que serão ouvidas testemunhas, produzidas provas e analisados todos os elementos do caso.

Os fatos mencionados decorrem de uma disputa interna no Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), envolvendo divergências administrativas e políticas que deram origem a diversos procedimentos judiciais. A defesa demonstrará, no momento oportuno, que as acusações não encontram respaldo na realidade dos fatos e que não houve a prática dos crimes imputados.

Tenho absoluto respeito pelo Ministério Público, pelo Poder Judiciário e pela imprensa, razão pela qual tratarei todas as questões relacionadas ao processo exclusivamente pelos meios legais, preservando a seriedade do debate e a regularidade da instrução processual.

Confio plenamente que, ao final do processo, ficará demonstrada minha inocência e a improcedência das acusações.

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