Focus Cia de Dança traz a São Luís espetáculo com canções interpretadas por Ney Matogrosso
A Focus Cia de Dança chega a São Luís nos dias 26 e 27 de setembro, no Teatro Arthur Azevedo, para encontrar o público com a superprodução “Entre a Pele e a Alma”. O espetáculo toma como referência o tríptico “O Jardim das delícias terrenas”, de Hieronymus Bosch, para entregar à plateia uma epifania por meio da voz de Ney Matogrosso. É a primeira vez que Ney interpreta canções para uma obra de dança contemporânea.
Já na Praça do Pantheon, no dia 25 de setembro, às 18h, será apresentada a intervenção urbana “Trupe”, performance que convida os passantes à contemplação em tempo real, afastando-os por alguns minutos das telas e das mentes ocupadas no vaivém urbano. A Focus Cia de Dança conta com patrocínio exclusivo da Petrobras.
Antes de chegar ao Maranhão, a Focus realizou potentes turnês internacionais. Passou por cidades de Portugal e províncias da Argentina e integrou o Living Dance Festival, como representante do Brasil na China. Recentemente, a Focus Cia de Dança foi declarada Patrimônio Histórico, Cultural e Artístico de Natureza Imaterial do Estado do Rio de Janeiro, além de receber o Prêmio Heloneida Studart, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ). As recentes honrarias do governo do estado passam a figurar na galeria inaugurada pela Comenda da Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura, maior condecoração da cultura brasileira.
“Todos os nossos movimentos, literalmente, se consolidam através do rigor, criatividade e conexões por todo o mundo e por todo o Brasil. Da mesma forma que conquistamos as plateias em Pequim e outras cidades chinesas, nos sentimos honrados de ter dançado em todas as capitais brasileiras. Finalmente, antes de retornar à querida São Luís, estivemos pela primeira vez em Macapá. Por isso, faz sentido seguir construindo pontes e entregando arte com muita inspiração”, afirma Alex Neoral.
Indissociável da história da Focus Cia de Dança, que fundou junto com Alex Neoral, a gestora Tati Garcias analisa o momento: “Dancei por muito tempo e me identifico em cada intérprete da companhia. É fundamental destacar: o patrocínio da Petrobras resulta no alto nível artístico exibido em cena. Tudo converge para o lugar e a importância que alcançamos na dança contemporânea brasileira.”
Entre a Pele e a Alma estreou em 2024 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. As músicas foram criadas exclusivamente para o espetáculo pelos compositores Sacha Amback e Paula Raia, que têm timbre muito próximo ao de Ney e participam especialmente da trilha sonora. Vale destacar que Ney Matogrosso lançou o EP “Pássaro Branco”, com músicas originais do espetáculo, no Spotify. Nos bastidores, tudo se orquestra para que Entre a Pele e a Alma vá ao encontro da plateia em sintonia perfeita. O cenário monumental é habitado pela coreografia, que exige trocas de figurinos em um timing preciso, traz visagismo elaborado e acontece sob uma luz feérica.
O rigor estético envolve, na ficha técnica, artistas consagrados como a cenógrafa Natalia Lana, o visagista Fernando Torquato, o light designer Anderson Ratto e os já citados músicos Sacha Amback e Paula Raia. O roteiro é marcado por dilemas ancestrais, sobretudo o direito ao prazer, desde a origem da humanidade. O tríptico “O Jardim das Delícias Terrenas” mede 2,20 x 3,89. Fechadas as abas laterais, a parte central simboliza o Terceiro Dia da Criação do Mundo por Deus. Completo, o tríptico mostra, no quadro central, o jardim, repleto de hedonismo e, na sequência, a condenação ao fogo eterno. Tal como na pintura de Bosch, Entre a Pele e a Alma aborda os sete pecados capitais.
“Na interpretação artística, Deus surge nos trejeitos e até figurinos inspirados em Ney Matogrosso. Ele é o nosso Deus por tudo o que simboliza”, explica Alex Neoral.
Ao longo de 75 minutos, há aspectos do Carnaval, a festa pagã da alegria, além de números de solo e aéreos em que os bailarinos performam, às vezes, com nudez parcial, construindo diante do público narrativas incomuns. “É lindo admirar o corpo íntegro e pleno dos bailarinos ao longo da coreografia, ora sem figurinos, porque é parte da natureza do que nós somos e de extrema beleza”, declara Ney Matogrosso.
O cenário também funciona como uma grande instalação cênica. “São três grandes mudanças durante o espetáculo. A principal vai se montando em cena aberta, com 1.540 metros de malha trabalhada e 300 nós em diferentes alturas, estudadas em 3D”, revela a premiada cenógrafa Natalia Lana.
Trupe se inspira no artista mambembe que, desde tempos imemoriais, atravessa territórios para ir ao encontro do público. Ao longo de 35 minutos, os bailarinos se deslocam pela Praça do Pantheon apresentando a coreografia. O público é homenageado junto ao tema da intervenção urbana. “É muito especial trazer nossa companhia com esses dois trabalhos para São Luís. Cada encontro com a plateia é movido a muito entusiasmo e orgulho”, destaca a gestora e diretora de produção Tati Garcias, sócia de Neoral na Focus Cia de Dança.
Desde sua primeira apresentação, em 2018, a performance Trupe marca o diálogo entre o movimento e a paisagem local, além de provocar o olhar de quem está no espaço público em questão. Trupe já foi montada Brasil adentro e mundo afora, em países como Canadá e Espanha, por exemplo. “Em cada lugar, Trupe recebe as mais diferentes reações. É nessa troca que a performance ganha significado. A ideia é sempre atravessar a rotina apressada das pessoas, tão repleta de telas e sobrecarga mental”, define Alex Neoral.
Com 27 obras e 17 espetáculos em seu repertório, a Focus Cia de Dança se consagrou pela crítica especializada e pelo sucesso de público. Apresentou-se em mais de 100 cidades brasileiras e levou sua arte para países como China, Argentina, Colômbia, Bolívia, México, Costa Rica, Canadá, Estados Unidos, Portugal, Itália, França, Alemanha e Panamá.
Ficha técnica “Entre a Pele e a Alma”
Direção artística e coreografia: Alex Neoral | Direção de produção e gestão: Tatiana Garcias | Assistente de Direção: Luisa Vilar | Ensaiadora: Karina Mendes | Coordenação de produção: Giseli Ribeiro | Produção Executiva: Náshara Silveira | Coordenação de Projeto: Taisa Diniz | Trilha sonora original: Paula Raia e Sacha Amback | Intérprete: Ney Matogrosso | Figurinos: João Pimenta | Visagismo: Fernando Torquato | Cenografia: Natalia Lana | Desenho de luz: Anderson Ratto | Fotos: Leo Aversa | Design Gráfico: Barbara Lana | Coordenação de Comunicação: Mônica Riani | Assessoria de Redes Sociais e Gestão de Tráfego: GuiiuG Comunicação | Dançado com: Afonso Gondin, Bianca Lopes, Bruno Feliciano, Carolina de Sá, Cosme Gregory, Guilherme Nunes, Luisa Vilar, Olívia Pureza, Paloma Tauffer, Wesley Tavares
Realização: Neoral Garcias Produções Artísticas
Serviço
Entre a Pele e a Alma — Coreografia e direção artística: Alex Neoral
Datas e horários: 26 de setembro — sábado, às 20h | 27 de setembro — domingo, às 18h
Local: Teatro Arthur Azevedo (744 lugares)
Endereço: Rua do Sol, s/n — Centro — São Luís/MA
Ingressos: plateia, frisa e camarote: R$ 60 inteira | R$ 30 meia
Balcão e galeria: R$ 30 inteira | R$ 15 meia
Ticketbolt: https://www.ticketbolt.com/search?q=Entre+a+pele+e+a+alma
Duração: 75 minutos | Classificação etária: 14 anos
Trupe — Intervenção urbana | Apresentação única
25 de setembro, às 18h | Livre para todos os públicos
Praça do Pantheon — Centro — São Luís
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