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Pelo Prisma do Amor: anime da Netflix emociona ao trazer nova perspectiva sobre romance

Produção ambientada em Londres acompanha jovem pintora japonesa e aposta em drama, rivalidade e laços afetivos.

Na Mira/ Jessyka Melo

Atualizada em 05/02/2026 às 14h39
Pelo Prisma do Amor: anime da Netflix emociona ao trazer nova perspectiva sobre romance.
Pelo Prisma do Amor: anime da Netflix emociona ao trazer nova perspectiva sobre romance. (Reprodução/ Netflix)

MUNDO - Lançado recentemente pela Netflix, ‘Pelo Prisma do Amor’ se destaca como um dos animes mais sensíveis e visualmente refinados dos últimos anos. Ambientada no início do século XX, a obra ultrapassa o rótulo de romance ao articular temas como identidade, amadurecimento, arte e a importância de escutar os próprios desejos.

A narrativa acompanha Lili Ichijoin, uma jovem japonesa que, em 1900, deixa seu país de origem para estudar pintura a óleo na Academia de Artes Saint Thomas, em Londres. O sonho, no entanto, vem acompanhado de uma condição imposta pela família: Lili precisa conquistar o primeiro lugar em ao menos uma das mostras de arte durante seis meses. Caso contrário, deverá retornar ao Japão e assumir os negócios da família, uma tradicional loja de quimonos.

Dentro da academia, Lili se depara com um cenário competitivo. Seu principal obstáculo é Kit Church, um estudante constantemente premiado que vive com sapatos encardidos, cujo talento técnico e reconhecimento o colocam sempre à frente nas exposições. O que se inicia como uma rivalidade unilateral, aos poucos, se transforma em uma relação mais complexa, marcada por trocas silenciosas, conflitos criativos e uma amizade construída de forma gradual e pouco convencional.

A obra, escrita por Yoko Kamio, dá especial atenção às relações interpessoais, especialmente à amizade, tratada com a mesma relevância narrativa que o romance. O desenvolvimento dos personagens é conduzido com cuidado, respeitando seus limites emocionais e os conflitos internos que surgem diante das escolhas impostas pelo contexto social e familiar.

O pano de fundo histórico também contribui para a densidade da narrativa. Situado às vésperas da Primeira Guerra Mundial, o anime incorpora de maneira sutil a tensão do período, refletida tanto nos diálogos quanto na atmosfera das cenas. A reconstrução da Londres do início do século XX é feita com rigor estético, reforçando a sensação de verossimilhança.

Visualmente, ‘Pelo Prisma do Amor’ impressiona. A animação é precisa e detalhista, com especial atenção às texturas, cores e movimentos relacionados à pintura. A arte não funciona apenas como tema central, mas como elemento narrativo ativo, presente nas emoções, nos conflitos e na evolução dos personagens. Cada quadro parece cuidadosamente composto, reforçando o caráter artístico da obra.

A trilha sonora complementa esse cuidado estético. Com composições suaves e melancólicas, a música acompanha o ritmo emocional da narrativa sem se sobrepor às cenas. Em momentos-chave, o silêncio é utilizado de forma estratégica, ampliando o impacto dramático.

Ao longo de seus vinte episódios, o anime evita soluções fáceis ou idealizações excessivas. Em vez disso, apresenta escolhas difíceis, frustrações e amadurecimento. A obra propõe uma reflexão sobre o tempo necessário para crescer, criar e compreender a si mesmo.

Mais do que um romance, ‘Pelo Prisma do Amor’ se afirma como uma narrativa sobre escutar a si próprio. Uma obra que convida o espectador a desacelerar e observar, não apenas os personagens, mas também as próprias escolhas.

Veja trailer de Pelo Prisma do Amor

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