SÃO LUÍS - A história de Maria da Conceição, conhecida como Mariquinhas, volta ao centro do debate público por meio do livro ‘Mariquinhas: crime e resistência feminina na São Luís do Maranhão de 1873’, da historiadora Nila Michele Bastos Santos. A obra revisita um dos crimes de maior repercussão do Maranhão no século XIX e lança um novo olhar sobre o episódio, destacando o protagonismo das mulheres que se mobilizaram para que o assassinato não fosse silenciado.
Mariquinhas foi assassinada em 1873 pelo desembargador Pontes Visgueiro. Na época, o caso mobilizou a sociedade maranhense e ocupou espaço nos jornais locais. Com o passar dos anos, porém, a memória do crime acabou marcada por narrativas que muitas vezes relegaram a vítima e as mulheres envolvidas na busca por justiça a um papel secundário.
Resultado de ampla pesquisa histórica, o livro reúne informações obtidas em processos judiciais, interrogatórios, registros policiais e periódicos do século XIX. A investigação revela como familiares, amigas e outras mulheres da comunidade desempenharam papel decisivo ao questionar o desaparecimento de Mariquinhas e pressionar por esclarecimentos.
Narrativa em formato de quadrinhos
A publicação se diferencia por apresentar toda a narrativa em formato de quadrinhos. A linguagem gráfica aproxima o público de uma pesquisa acadêmica complexa, ampliando o acesso ao conhecimento histórico e estimulando reflexões sobre memória, violência de gênero e justiça social.
Além de recuperar um episódio marcante da história maranhense, a obra estabelece conexões entre passado e presente ao abordar questões que permanecem atuais. O livro também se apresenta como ferramenta pedagógica para discussões em áreas como História, Sociologia, Geografia, Literatura e Língua Portuguesa, contribuindo para o debate sobre direitos humanos e o enfrentamento da violência contra as mulheres.
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