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Pedro Sobrinho
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Camaelônica

Anitta dá um tapa na cara do preconceito e da intolerância

A jovem cantora camaleônica carioca apresenta ao Brasil e ao mundo álbum EquilibriVm - Volumes 1 e 2. A turnê pelo país para o lançamento teve início nesse sábado (1º), em Porto Alegre (RS)

Pedro Sobrinho / Jornalista

- Atualizada em 03/08/2026 às 23h48

O novo álbum de Anitta, EQUILIBRIVM (estilizado com 'V') – Parte 1 e 2, é um tapa na cara do Brasil que pula sete ondas e veste branco todo fim de ano, mas odeia a macumba, o candomblé, a mina e o catimbó.

Anitta e o seu álbum Equilibrium - Volumes 1 e 2. Foto: Reprodução/Google
Anitta e o seu álbum Equilibrium - Volumes 1 e 2. Foto: Reprodução/Google

Anitta vai lá e mostra a nossa verdadeira raiz, o esteio da nossa cultura e da nossa brasilidade, que não caiu de paraquedas, mas nasceu da resistência, da ciência, da magia e da sabedoria popular dos povos indígenas e negros. Anitta em busca do seu tronco ancestral através da música e deixando o recado: "Se a gente não souber de onde veio, a gente não consegue caminhar de cabeça erguida".

Assim como a ousadia da cantora maranhense Rita Benneditto, com o seu projeto Tecnomacumba lá atrás, de salvaguarda, pertencimento e fomento das raízes culturais, rítmicas de religiosidade africana, a cantora carioca Anitta também ousou. Depois de colocar o funk brasileiro no cenário internacional, com muita coragem fez uma aposta de descer o funk à terra, às suas raízes. E, em vez de seguir pelo caminho da ostentação que muitas vezes é imposto como única possibilidade de ascensão dentro do capitalismo e da indústria cultural, ela mostrou o poder da humildade, da ancestralidade, do envelhecimento humano e da filosofia que aprendemos nos terreiros de todo o Brasil. Uma filosofia que nos ensina sobre comunidade, sobre respeito aos mais velhos, sobre a força da memória e sobre a importância de saber de onde viemos para decidir para onde queremos ir.

O projeto EQUILIBRIVM de Anitta é um trabalho conceitual dividido em dois volumes lançados em 2016, focado em espiritualidade, ancestralidade e brasilidade. O primeiro volume saiu em 16 de abril de 2026 e a continuação, EQUILIBRIVM II, foi lançada em 23 de julho de 2026. O projeto aborda a fé, o autoconhecimento e a religiosidade da cantora.

Anitta revelou que este foi o álbum mais caro e pessoal de toda a sua carreira, com gravações visuais que passaram por locais como a Vila Mogol (MG) e a Serra da Ibiapaba (CE).

Os discos vieram acompanhados de curtas-metragens musicais e experiências audiovisuais disponíveis no YouTube e no Globoplay.
 

O volume  I traz 15 faixas com participações de Marina Sena, Liniker, Luedji Luna, Shakira e Ponto de Equilíbrio. Já o volume II, traz colaborações de peso com Maria Bethânia, Alceu Valença, Mart'nália, MC Tha, Alexandre Carlo, Mestrinho, Grupo Ofá, entre outros, misturando ritmos como funk, forró, reggae, samba e ijexá.

Equilibrium Tour

A apresentação abre uma sequência de cinco shows realizados durante os sábados de agosto. Depois da estreia em Porto Alegre, ontem (1º), a cantora passa por São Paulo (8 e 9 de agosto), Fortaleza (15), Niterói (22) e encerra a turnê em Salvador (29).

Com uma proposta diferente de suas turnês anteriores, a Equilibrium Tour transforma o álbum em uma experiência audiovisual, unindo música, performance e elementos visuais inspirados na fase mais introspectiva e brasileira da artista. O projeto acompanha o lançamento de Equilibrium, que trouxe Anitta explorando gêneros como funk, samba, MPB e outros sons ligados às suas raízes.

Esses dois discos marcam mais um capítulo da trajetória de Anitta, que busca equilibrar sua imagem de estrela pop internacional com uma conexão mais profunda com sua identidade brasileira.


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