ZURIQUE - O presidente da Fifa, Gianni Infantino, pediu desculpas nesta quinta-feira (15) durante reunião do Conselho da entidade pelos problemas de comunicação e consulta envolvendo o projeto Fifa Forward Enterprise (FFE), mas não conseguiu diminuir a resistência de dirigentes de importantes federações europeias. Inglaterra e Alemanha voltaram a questionar a permanência do dirigente no comando do futebol mundial.
Infantino afirmou que lamenta a forma como o projeto foi conduzido, mas reforçou que a iniciativa era apenas uma proposta e não representava um acordo definitivo. O FFE previa a criação de uma estrutura para administrar interesses comerciais das competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, com a possibilidade de venda de uma participação minoritária a investidores privados. A proposta foi abandonada após forte oposição dentro do futebol internacional.
Alemanha pede mudanças na FIFA
O presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), Bernd Neuendorf, afirmou que as reformas de governança necessárias na Fifa não podem ser conduzidas por Infantino. O dirigente defendeu uma mudança ampla na administração da entidade e pediu um novo começo político.
Para Neuendorf, a crise provocada pelo projeto FFE mostrou a necessidade de uma reformulação na estrutura de comando da Fifa. A posição alemã reforça críticas que já vinham sendo apresentadas por federações europeias desde o abandono da proposta de participação de investidores privados nas competições da entidade.
— Precisamos de reformas. Isso é verdade e todo mundo sabe disso. A antiga administração precisa ser reformada, e toda a governança precisa ser reformada. Mas isso não é possível com o Gianni — afirmou Neuendorf.
Inglaterra também cobra explicações
A presidente da Federação Inglesa de Futebol (FA), Debbie Hewitt, também adotou um tom crítico. Segundo ela, Infantino precisa responder aos questionamentos apresentados pelos integrantes do Conselho da Fifa antes de continuar à frente da entidade.
Hewitt afirmou que, caso o presidente não apresente respostas consideradas satisfatórias, sua permanência no cargo poderá ser colocada em dúvida.
A Inglaterra está entre as federações europeias que se afastaram do apoio à candidatura de Infantino para um novo mandato. A pressão sobre o dirigente aumentou desde a crise envolvendo o Fifa Forward Enterprise e os questionamentos sobre a condução do projeto.
Infantino Busca novo mandato
Apesar da oposição de parte do futebol europeu, Infantino ainda mantém apoio em outras regiões. O dirigente recebeu manifestações favoráveis de autoridades africanas e também conta com respaldo de setores do futebol sul-americano e asiático.
Infantino pretende disputar a reeleição à presidência da Fifa em 2027. O pleito está marcado para 18 de março, em Rabat, no Marrocos. O suíço-italiano comanda a entidade desde 2016 e busca permanecer no cargo para o próximo ciclo.
A crise de governança, portanto, deve continuar como um dos principais temas da disputa pela presidência da Fifa. Enquanto Infantino tenta preservar sua base de apoio, dirigentes europeus defendem mudanças mais profundas na administração da entidade.
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