SÃO LUÍS - A intervenção na Federação Maranhense de Futebol (FMF) completou um ano nesta terça-feira (5), marcada por denúncias de irregularidades administrativas e financeiras, disputas judiciais envolvendo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e uma longa espera pela realização de novas eleições. Desde o afastamento da antiga diretoria, o futebol maranhense passou a ser administrado por uma junta interventora nomeada pela Justiça, enquanto o processo segue em tramitação.
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Intervenção na FMF pode ter nova eleição em até 75 dias após proposta da Justiça
A mudança ocorreu após decisão da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, que atendeu a um pedido de tutela de urgência do Ministério Público do Maranhão (MPMA). A medida afastou toda a diretoria da FMF e do Instituto Maranhense de Futebol (IMF), abrindo caminho para uma gestão provisória comandada por Susan Lucena.
Como começou a intervenção na FMF
No dia 4 de agosto de 2025, o juiz Douglas de Melo Martins determinou o afastamento da diretoria presidida por Antônio Américo, atendendo ao pedido apresentado pelo Ministério Público.
A decisão também retirou da administração o Instituto Maranhense de Futebol (IMF), entidade criada para auxiliar a gestão da Federação.
Susan Lucena, então advogada e gestora da Casa da Mulher Brasileira, foi nomeada interventora por um período inicial de até 90 dias, com a missão de reorganizar administrativamente a entidade.
Relatórios apontaram irregularidades financeiras
Poucos dias após assumir o comando da FMF, a interventora apresentou um relatório preliminar à Justiça detalhando a situação financeira da entidade.
Entre os principais pontos estavam:
- Saques de aproximadamente R$ 88 mil em apenas seis dias;
- Transferências financeiras entre FMF e IMF;
- Contas bancárias com saldo negativo;
- Passivo condominial superior a R$ 20 mil;
- Débitos relacionados ao seguro obrigatório para realização de partidas.
Posteriormente, um segundo relatório ampliou o diagnóstico sobre a situação financeira da Federação.
Segundo a junta interventora, foram identificadas:
- Transferências de recursos da FMF para familiares do então presidente Antônio Américo;
- Dívidas superiores a R$ 2 milhões com a União e o FGTS;
- Pendências junto à Receita Federal;
- Débitos com a Fazenda Nacional;
- Dívidas de IPTU e condomínio.
Equipe da intervenção foi formada em agosto
No dia 14 de agosto de 2025, a FMF apresentou oficialmente a equipe que passou a atuar na administração provisória da entidade.
A junta foi composta por:
- Susan Lucena;
- Alain Kazadi;
- Magno Moraes;
- Mariana Mesquita;
- Yanne Milano;
- Mário Lobão.
Dias depois, os interventores solicitaram à Justiça novas medidas investigativas, incluindo a quebra dos sigilos bancário e fiscal da FMF, do IMF e dos dirigentes investigados.
CBF tentou interromper a intervenção
Ainda em agosto de 2025, a Confederação Brasileira de Futebol ingressou na Justiça tentando suspender o processo de intervenção.
O pedido, no entanto, foi negado pelo juiz Douglas de Melo Martins, que manteve Susan Lucena e sua equipe à frente da administração provisória.
Meses depois, em outubro, um novo capítulo surgiu após decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A determinação suspendeu temporariamente qualquer ato relacionado à alteração estatutária da FMF, incluindo:
- Recadastramento de clubes;
- Alterações de gestão;
- Mudanças na composição de filiados;
- Processo eleitoral.
Apesar da suspensão, as competições organizadas pela Federação seguiram normalmente.
CBF pediu autonomia para conduzir a intervenção
Em março deste ano, a CBF voltou ao processo e solicitou à Justiça que um interventor indicado exclusivamente pela entidade nacional assumisse a administração da FMF.
O pedido foi apresentado após o Tribunal de Justiça do Maranhão autorizar que a Confederação indicasse um cointerventor para atuar em conjunto com a gestão provisória.
A entidade alegou possuir competência estatutária e capacidade técnica para conduzir o processo de reorganização da Federação Maranhense de Futebol.
No entanto, o pedido de autonomia não avançou. Duas audiências de conciliação chegaram a ser realizadas, mas terminaram sem acordo entre as partes.
Processo segue sem definição definitiva
Após um ano da intervenção, o processo continua em tramitação na Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís.
Segundo informações do processo, o valor estimado da ação gira em torno de R$ 2 milhões.
Enquanto isso, a junta administrativa permanece à frente da FMF, aguardando novos desdobramentos judiciais.
A expectativa é que uma futura homologação de acordo pelo Supremo Tribunal Federal possa destravar o processo e abrir caminho para a realização de novas eleições na entidade.
Irregularidades apontadas pelo Ministério Público
Segundo o Ministério Público do Maranhão, as investigações identificaram uma série de problemas na gestão da Federação Maranhense de Futebol.
Entre eles estão:
- Falta de transparência administrativa;
- Possível desvio de finalidade institucional;
- Irregularidades na gestão;
- Problemas financeiros na administração da entidade.
Ao todo, 17 dirigentes foram denunciados no processo.
Um ano de incertezas para o futebol maranhense
Do afastamento da antiga diretoria aos impasses envolvendo a Justiça e a CBF, a intervenção na FMF completa um ano sem uma solução definitiva. Apesar dos relatórios, das investigações e das medidas adotadas pela junta administrativa, o comando da Federação Maranhense de Futebol permanece sob tutela judicial, enquanto clubes, ligas e dirigentes aguardam a definição do futuro da entidade e a convocação de novas eleições.
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