ATUALIDADES

A epidemia da solidão: os desafios da "geração do quarto" na era digital

Como o uso excessivo de telas, a busca por pertencimento e o medo da rejeição alimentam o isolamento de jovens e adolescentes

Mirante News FM

Atualizada em 23/07/2026 às 12h35
Eduarda Bogéa, Francisco Frazão e Alderico Segundo em entrevista ao Atualidades, com Marcelo Rodrigues e Anna Clara Dias.
Eduarda Bogéa, Francisco Frazão e Alderico Segundo em entrevista ao Atualidades, com Marcelo Rodrigues e Anna Clara Dias. (Wesly Lima/Mirante News FM)

SÃO LUÍS O Atualidades reuniu nesta quinta-feira especialistas para debater a recente "epidemia da solidão" e o crescimento da chamada "geração do quarto". Com a presença da psicóloga Eduarda Bogéa, do psiquiatra e psicanalista Francisco Frazão e do sociólogo Alderico Segundo, a mesa abordou como o isolamento físico de jovens tem sido impulsionado tanto por recortes sociais vulnerabilizantes -- como o preconceito e a ausência de acolhimento público –  quanto pelo refúgio no universo virtual, onde a falsa sensação de proteção esconde um profundo distanciamento do convívio interpessoal.

Durante o programa, os entrevistados analisaram as dinâmicas psicológicas e sociais que transformam a casa em uma bolha de evitação de riscos emocionais. O sociólogo Alderico Segundo alertou para o desgaste das pontes de diálogo dentro do ambiente doméstico e a busca precipitada por validação digital, enquanto a psicóloga Eduarda Bogéa explicou que a exposição às recompensas rápidas das redes reduz a tolerância do cérebro ao esforço e distorce a autoimagem. "A gente compara os nossos bastidores com o palco da outra pessoa", destacou a psicóloga ao enfatizar como a cultura do hiperconectivismo alimenta sentimentos de inadequação.

Complementando a análise, o psiquiatra Francisco Frazão ressaltou que a saúde mental e o amadurecimento humano dependem fundamentalmente da convivência com a diferença e do tempo de elaboração das experiências. De acordo com os especialistas, enfrentar essa crise exige a atuação conjunta da sociedade: o fortalecimento de políticas públicas de saúde e educação, a imposição de limites familiares ao uso desenfreado da tecnologia e a construção de espaços que promovam o acolhimento real e a verdadeira sensação de pertencimento.

Veja a entrevista completa.

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