Prefeitura de Bequimão detalha atendimento médico prestado a jovem que morreu esperando transferência
Jemerson Felipe Rodrigues Pereira, de 28 anos, morreu enquanto aguardava uma transferência hospitalar para São Luís; governo marca reunião de emergência.
BEQUIMÃO - A Prefeitura de Bequimão divulgou, neste domingo (13), uma nota oficial para esclarecer a linha do tempo e todos os procedimentos adotados durante o atendimento médico prestado ao paciente Jemerson Felipe Rodrigues Pereira, de 28 anos, que morreu enquanto aguardava uma tentativa de transferência hospitalar para São Luís. De acordo com o documento emitido pelo município, o paciente deu entrada no Hospital Lídia Martins à 1h28 do dia 10 de setembro, apresentando sintomas de tosse persistente, falta de ar, taquicardia e baixa saturação de oxigênio. Após a assistência inicial, o paciente apresentou hipótese diagnóstica de infarto e foi transferido para suporte especializado, evoluindo a óbito às 4h do dia seguinte.
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Segundo o relatório da unidade hospitalar, as primeiras medicações prescritas foram administradas às 1h45 — 17 minutos após a entrada —, com a instalação de acesso venoso, suporte de oxigênio e coleta de exames laboratoriais. Às 2h, Jemerson Felipe foi admitido no setor de internação, onde permaneceu sob monitoramento e cuidados contínuos durante a madrugada e a manhã. Durante a entrevista clínica, o paciente relatou que estava com tosse persistente há mais de três semanas e que havia interrompido um tratamento prévio para pneumonia. Um Raio-X de tórax datado de 7 de setembro foi anexado ao prontuário, mas a equipe ressaltou que o exame não teve relação determinante com o diagnóstico posterior.
Diagnóstico de infarto e conduta no atendimento médico em Bequimão
Durante o acompanhamento no Hospital Lídia Martins, Jemerson Felipe apresentou estabilização e chegou a solicitar alta médica para retornar para casa, pedido que foi recusado pela equipe diante de alterações nos exames laboratoriais. Os testes indicaram elevação da Proteína C-Reativa (PCR), sinalizando processo inflamatório. Com o resultado e a manutenção dos sintomas, foram realizados dois eletrocardiogramas para reavaliação clínica.
Às 14h01, os parâmetros do eletrocardiograma de controle indicaram a hipótese diagnóstica de Infarto Agudo do Miocárdio. A equipe médica iniciou imediatamente o protocolo medicamentoso preconizado e preparou a remoção do paciente. Para garantir a segurança durante o trajeto, a ambulância foi equipada com dois cilindros de oxigênio de grande porte e dois portáteis, contando com o acompanhamento de profissionais de saúde.
Logística de transferência e encaminhamento hospitalar
A transferência foi autorizada às 17h46 com destino inicial ao Hospital Djalma Marques (Socorrão I), em São Luís, unidade de urgência que não exige regulação prévia de leito. A ambulância chegou ao porto do Cujupe às 18h25 para embarque no ferry-boat das 18h30. No entanto, às 21h, diante dos parâmetros clínicos apresentados, a equipe adotou a conduta de segurança de retornar ao Hospital Lídia Martins para reavaliação e nova estabilização do paciente.
Após a reavaliação, definiu-se o encaminhamento para o Hospital Dr. Antenor Abreu, localizado no município de Pinheiro, unidade pactuada para suporte ventilatório e estabilização cardiológica até a regulação para um serviço de maior complexidade. A ambulância partiu de Bequimão às 22h15 e deu entrada no hospital em Pinheiro às 22h58. Jemerson Felipe permaneceu sob os cuidados da equipe assistente no local, mas acabou evoluindo a óbito às 4h.
Jovem morreu enquanto aguardava viagem para São Luís
Jemerson Felipe Rodrigues Pereira morreu na madrugada desta sexta-feira (11), em Pinheiro, na Baixada Maranhense, enquanto aguardava uma transferência hospitalar para São Luís. Natural de Bequimão, ele estava internado no Hospital Municipal Lídia Martins e precisava ser encaminhado para atendimento na capital.
De acordo com informações divulgadas pela família de Jemerson, durante a tentativa de transferência, a ambulância que transportava o paciente permaneceu por cerca de três horas no Porto do Cujupe, aguardando um ferryboat para realizar a travessia até a capital.
Diante da demora e da ausência de ferry, a ambulância teria retornado para Bequimão. Posteriormente, Jemerson foi encaminhado para Pinheiro, onde não resistiu e morreu durante a madrugada desta sexta.
Jemerson Felipe foi sepultado nesse sábado (12), em Bequimão, na Baixada Maranhense. Abalada com a situação, a família do jovem detalhou a sequência dos acontecimentos que levaram à morte dele, e afirmou que ele não sofria com nenhuma doença crônica. Entretanto, começou a apresentar sintomas respiratórios poucos dias antes de ser internado.
Governo do Maranhão está apurando caso
Após a repercussão do caso, o governador Carlos Brandão afirmou que o governo iria apurar o que aconteceu e anunciou uma reunião com prefeitos da Baixada Maranhense, empresas e secretarias estaduais envolvidas no serviço de ferryboat para este domingo (13). Entre as medidas citadas por ele estão a melhoria da comunicação entre terminais e hospitais e a exigência do cumprimento dos horários e da programação das viagens.
“Convocamos reunião para domingo (13) com todos os prefeitos da Baixada Maranhense, empresas e secretarias de Estado que operam no serviço de ferryboat. O ferry São Miguel será incorporado nos próximos dias, e em breve teremos também o ferry São Rafael. Estamos apurando o caso do Jemerson Felipe, de 28 anos, que faleceu nesta sexta (11), em Pinheiro, para tomar as medidas cabíveis. Meus sentimentos aos familiares e amigos. Também vamos melhorar a comunicação direta entre os terminais e os hospitais, exigir o cumprimento dos horários e da programação das viagens, entre outras medidas emergenciais. Nosso compromisso maior é com a vida”, diz a nota divulgada pelo governador.
Confira a nota da prefeitura de Bequimão na íntegra:
Jemerson Felipe Rodrigues Pereira recebeu toda a assistência da equipe de saúde do Hospital Lídia Martins, em Bequimão. Ele deu entrada à 1h28 do dia 10 de setembro, com relato de tosse persistente, falta de ar, taquicardia e baixa saturação de oxigênio.
À 1h45, 17 minutos após o registro de entrada, foram administradas as primeiras medicações prescritas, com instalação de acesso venoso, suporte de oxigênio e solicitação de exames laboratoriais.
Às 2h, o paciente foi admitido no setor de internação. O prontuário contém registros de atendimentos permanentes durante a madrugada e manhã, com administração de medicações, oxigenoterapia e monitoramento. Após o acompanhamento inicial, ele apresentou estabilidade clínica e melhora, chegando a pedir liberação para retornar à sua casa. A equipe médica, entretanto, não autorizou a alta, pois os resultados dos exames indicavam a necessidade de manutenção da internação e da investigação do quadro clínico.
Quanto ao histórico clínico, foi relatado pelo paciente durante o atendimento que ele estava com tosse persistente há mais de três semanas e que havia descontinuado um tratamento para pneumonia. Foi anexado ao prontuário exame de Raio-X de tórax datado de 7 de setembro, embora esse exame não tivesse correlação determinante com o diagnóstico clínico definido posteriormente.
Os exames laboratoriais apresentaram alterações, com elevação da Proteína C-Reativa (PCR), marcadora de processo inflamatório. Diante desse resultado, em conjunto com os sintomas e demais achados clínicos, a equipe realizou dois eletrocardiogramas para reavaliação do quadro e contraprova diagnóstica.
Às 14h01, diante dos parâmetros apresentados em eletrocardiograma de controle, a equipe considerou hipótese diagnóstica compatível com Infarto Agudo do Miocárdio. Com os parâmetros apresentados, foi iniciado imediatamente o protocolo medicamentoso preconizado para o quadro e adotadas as providências para transferência após estabilização clínica.
Depois de estabilizado o paciente, para a transferência com segurança, a ambulância foi preparada com dois cilindros de oxigênio de grande porte e dois cilindros portáteis, quantidade dimensionada para o trajeto, com acompanhamento de equipe.
O encaminhamento inicial do paciente, após transferência, seria para o Hospital Djalma Marques, Socorrão I, em São Luís, por ser uma unidade de urgência e emergência de porta aberta que não exige regulação prévia de leito para receber o paciente. A transferência foi autorizada às 17h46 e a ambulância chegou ao Cujupe às 18h25, com expectativa de embarcar no ferry-boat das 18h30.
Às 21h, diante dos parâmetros clínicos verificados, a equipe adotou conduta de segurança com retorno ao Hospital Lídia Martins para nova avaliação e estabilização. Definiu-se o encaminhamento do paciente ao Hospital Dr. Antenor Abreu, em Pinheiro, unidade de contra-referência pactuada para casos que necessitam de suporte ventilatório e estabilização cardiológica, até a conclusão da regulação para um serviço de maior complexidade.
O transporte foi realizado em ambulância com suporte de oxigênio, saindo de Bequimão às 22h15 e chegada ao Hospital Dr. Antenor Abreu às 22h58, onde o paciente permaneceu sob cuidados da equipe assistente, evoluindo a óbito às 4h do dia seguinte.
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