Reforma Tributária

Reforma Tributária: parlamentares e empresários discutem ajustes na regulamentação

Frente Parlamentar do Empreendedorismo debate impactos da reforma, com foco no Simples Nacional e no início da vigência em 2026

Ipolítica, com informações do Brasil 61

O encontro foi promovido pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo e marcou a primeira reunião de deputados e senadores do bloco após o recesso de fim de ano
O encontro foi promovido pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo e marcou a primeira reunião de deputados e senadores do bloco após o recesso de fim de ano (CACB/Divulgação)

BRASÍLIA – Parlamentares e representantes do setor produtivo se reuniram nesta terça-feira (3) para discutir ajustes na Reforma Tributária, com foco na regulamentação do novo modelo de tributação sobre o consumo. O encontro foi promovido pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo e marcou a primeira reunião de deputados e senadores do bloco após o recesso de fim de ano.

O debate foi considerado prioritário pelos participantes, uma vez que 2026 marca o início efetivo da vigência da Reforma Tributária, que altera profundamente a forma de arrecadação de impostos no país.

Diálogo com o setor produtivo

Presente na reunião, o vice-presidente jurídico da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, Anderson Trautman Cardoso, avaliou positivamente o encontro e destacou a retomada do diálogo entre o Congresso e o setor produtivo.

Segundo ele, apesar de não ser considerada ideal, a Reforma Tributária pode contribuir para o desenvolvimento econômico do país, desde que ajustes sejam feitos na fase de regulamentação.

Impacto no Simples Nacional

Um dos principais pontos levantados durante a reunião foi o impacto da Reforma Tributária sobre as empresas optantes pelo Simples Nacional. Cardoso afirmou que o regime avançou a partir de demandas apresentadas pela CACB, mas ainda enfrenta desafios relevantes.

Entre eles, está a possível perda de competitividade das micro e pequenas empresas. No modelo atual, quando uma empresa do Simples vende para outra enquadrada no Lucro Real, a compradora pode aproveitar integralmente os créditos de PIS e Cofins. Com a Reforma Tributária, esse aproveitamento passa a ser proporcional ao valor recolhido pelo fornecedor.

Como a carga tributária do Simples é menor, o crédito gerado também tende a ser reduzido, o que pode levar grandes empresas a priorizarem fornecedores fora desse regime.

Preocupação no Congresso

O deputado Domingos Sávio ressaltou que o Simples Nacional é um instrumento constitucional de incentivo às micro e pequenas empresas, ao oferecer simplificação tributária e menor carga de impostos.

Para ele, a vedação a incentivos pode gerar consequências negativas, ao reduzir a competitividade das empresas do Simples frente aos grandes fornecedores, o que reforça a necessidade de manter o debate aberto no Congresso.

Alternativas previstas na reforma

A Reforma Tributária prevê a possibilidade de que empresas do Simples Nacional recolham apenas os tributos sobre consumo, IBS e CBS, pelo regime geral, com direito a crédito e débito, permanecendo no Simples para os demais tributos.

No entanto, essa alternativa também gera críticas. O deputado Joaquim Passarinho avaliou que a medida representa, na prática, um enfraquecimento do Simples Nacional.

Segundo ele, sem algum tipo de compensação, microempresas podem acabar excluídas do mercado, apesar de o tema já ter sido discutido durante a tramitação da reforma.

Outros temas em debate

Além da Reforma Tributária, a reunião da Frente Parlamentar do Empreendedorismo também abordou outros assuntos de interesse do setor produtivo, entre eles:

  • redução da jornada de trabalho;
  • impactos da diminuição de benefícios fiscais;
  • efeitos da Lei Complementar nº 224/2025 sobre a atividade econômica.

Os participantes defenderam que o diálogo entre Congresso, empresários e sociedade civil continue ao longo de 2025, para que ajustes possam ser feitos antes da entrada em vigor definitiva da Reforma Tributária em 2026.

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