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Dino acaba com aposentadoria compulsória como punição máxima a magistrados; pena será perda de cargo

Decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal determina que juízes que cometerem infrações graves poderão perder o cargo e deixar de receber salário.

Ipolítica, com informações do g1

Ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). (Sophia Santos / STF)

BRASIL - O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu que magistrados que cometerem infrações graves podem ser punidos com perda do cargo, e não mais com aposentadoria compulsória. A medida altera o entendimento que tratava a aposentadoria como a principal punição administrativa aplicada a juízes.

Com a decisão de Flávio Dino, o afastamento definitivo da função passa a ser considerado a sanção máxima em processos disciplinares contra magistrados.

Flávio Dino afirma que aposentadoria compulsória não cabe mais

Na decisão, Flávio Dino afirmou que a aposentadoria compulsória punitiva não se encaixa mais no atual ordenamento jurídico. Segundo o ministro, magistrados que cometerem crimes ou infrações graves devem ser responsabilizados com a perda do cargo.

A decisão também determina que o processo para a perda da função precisa ser analisado judicialmente.

De acordo com o ministro:

  • a punição administrativa pode ser proposta pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ);
  • o julgamento final da perda do cargo deverá ocorrer no STF;
  • a ação judicial será apresentada pela Advocacia-Geral da União.

Decisão de Flávio Dino não vale para ministros do STF

A decisão de Flávio Dino se aplica a juízes e ministros de tribunais de todo o país, mas não inclui os próprios ministros do Supremo Tribunal Federal.

Antes da mudança, a aposentadoria compulsória era considerada a punição administrativa mais grave prevista na Lei Orgânica da Magistratura Nacional. Nesse modelo, o magistrado deixava o cargo, mas continuava recebendo salário proporcional ao tempo de serviço.

Essa prática era alvo de críticas por permitir que juízes punidos continuassem recebendo remuneração mesmo após irregularidades.

Caso analisado pelo STF

A decisão foi tomada após análise de uma ação movida por um juiz afastado do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

O magistrado havia sido aposentado compulsoriamente após investigação conduzida pelo CNJ. O processo apontou diversas irregularidades, entre elas:

  • favorecimento a grupos políticos locais;
  • liberação de bens bloqueados sem manifestação do Ministério Público;
  • direcionamento de processos para concessão de decisões liminares;
  • irregularidades em processos envolvendo policiais militares.

Segundo o CNJ, o juiz atuava na comarca de Mangaratiba e teria adotado práticas que beneficiavam determinados grupos.

Responsabilização disciplinar de magistrados

Para Dino, a responsabilização disciplinar de magistrados precisa ser efetiva. O ministro argumentou que mudanças constitucionais já haviam eliminado a possibilidade de aposentadoria compulsória como punição punitiva.

Com isso, casos considerados graves deverão resultar na perda do cargo, respeitando a garantia constitucional da vitaliciedade dos magistrados, que exige decisão judicial para afastamento definitivo.

A decisão deve influenciar futuros processos disciplinares envolvendo juízes em todo o país.

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