Deepfake

Deepfake nas eleições: Justiça Eleitoral condena só 20% dos casos

Uso de deepfake nas eleições enfrenta dificuldade de prova e identificação; TSE endurece regras para conteúdo com IA.

Ipolítica, com informações de O Globo

Justiça Eleitoral condena 20% dos casos de deepfake nas eleições e enfrenta dificuldade para identificar uso de IA em campanhas.
Justiça Eleitoral condena 20% dos casos de deepfake nas eleições e enfrenta dificuldade para identificar uso de IA em campanhas. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

BRASIL - O uso de deepfake nas eleições brasileiras ainda enfrenta dificuldades de punição pela Justiça Eleitoral. Levantamento aponta que apenas 20% dos casos registrados durante o pleito de 2024 resultaram em condenação.

Os dados indicam entraves na identificação de conteúdos manipulados por inteligência artificial (IA), além da dificuldade de comprovar tecnicamente a adulteração de áudios e vídeos usados em campanhas.

Dificuldade de comprovação

Um dos principais obstáculos no combate ao deepfake nas eleições é a falta de provas técnicas conclusivas. Em muitos casos, perícias não conseguem determinar se o material foi ou não manipulado por IA.

Foi o que ocorreu em um caso no município de Caxias, onde um áudio atribuído a um político foi apresentado durante um comício. A análise da Polícia Federal foi inconclusiva, o que levou à rejeição da ação judicial.

Sem confirmação técnica, a Justiça tem dificuldade em responsabilizar os envolvidos.

Regras mais rígidas do TSE

Diante do avanço da tecnologia, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a adotar medidas mais rigorosas para o uso de inteligência artificial nas campanhas.

Entre as principais regras estão:

  • Proibição de conteúdo com IA nas 72 horas antes da votação
  • Obrigação de informar quando o material for manipulado
  • Possibilidade de inversão do ônus da prova
  • Parcerias para reforço técnico em perícias

A inversão do ônus da prova permite que o acusado tenha que demonstrar que o conteúdo divulgado é verdadeiro.

Falta de padronização

Outro desafio relacionado ao deepfake nas eleições é a ausência de critérios uniformes entre os tribunais eleitorais.

Levantamentos mostram que decisões judiciais variaram entre:

  • Permissão do conteúdo em determinados contextos
  • Proibição total
  • Avaliação caso a caso

Em cerca de 62% das ocorrências analisadas, o material não foi considerado ilegal, muitas vezes por ser interpretado como sátira, crítica ou liberdade de expressão.

Dificuldade de identificar autores

Além da comprovação técnica, a identificação dos responsáveis pelas publicações também é um problema.

Conteúdos falsos frequentemente circulam em redes sociais e aplicativos de mensagem sem autoria clara, o que dificulta a aplicação de penalidades como multas ou cassação de candidaturas.

Mesmo quando há indícios de manipulação, a responsabilização pode não ocorrer por falta de identificação dos envolvidos.

Avanço da tecnologia preocupa

Especialistas apontam que o uso de deepfake nas eleições deve crescer, exigindo maior capacidade técnica e jurídica para enfrentamento.

A Justiça Eleitoral tem buscado alternativas, incluindo parcerias com universidades e ferramentas de detecção de conteúdo manipulado.

Apesar disso, há avaliação de que o desafio não está apenas na criação de regras, mas na capacidade de aplicá-las com rapidez e precisão diante da velocidade de circulação das informações.

Cenário internacional

O uso de deepfake em processos eleitorais não é exclusivo do Brasil. Casos semelhantes foram registrados em países como Estados Unidos e Argentina, com impactos diretos em campanhas políticas.

Em alguns países, as punições têm sido mais rigorosas, incluindo multas milionárias e abertura de processos judiciais contra os responsáveis.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.