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Moraes limita atuação do Coaf e restringe uso de relatórios de inteligência financeira

Decisão do ministro do STF estabelece critérios para acesso a dados financeiros e aponta uso indevido como instrumento de pressão.

Ipolítica, com informações do g1

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. (Foto: Gustavo Moreno/STF)

BRASIL - O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decidiu nesta sexta-feira (27) limitar a atuação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras e restringir o uso de relatórios de inteligência financeira (RIFs). A medida estabelece novos critérios para o compartilhamento dessas informações em investigações e procedimentos oficiais.

A decisão ocorre em meio a apuração sobre o vazamento de dados sigilosos de autoridades e, segundo Moraes, busca conter abusos no uso desses relatórios, que vinham sendo utilizados fora de sua finalidade legal.

Moraes limita atuação do Coaf e define regras para acesso a dados

Os relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Coaf detalham movimentações bancárias consideradas suspeitas, tanto de pessoas físicas quanto jurídicas. Com a decisão, Moraes limita a atuação do Coaf ao impor exigências para o acesso a esses documentos.

Entre as principais determinações, estão:

  • Existência de investigação formalmente aberta ou processo administrativo/judicial;
  • Pedido direcionado a um alvo específico;
  • Relação direta entre o conteúdo do relatório e o objeto da investigação;
  • Proibição de buscas genéricas por dados (conhecidas como “fishing expedition”).

Além disso, o Coaf deverá garantir:

  • Identificação objetiva do investigado;
  • Pertinência temática estrita;
  • Justificativa clara para a produção do relatório.

Uso indevido dos relatórios motivou decisão

Ao justificar a medida, Moraes afirmou que há indícios de desvio no uso dos relatórios de inteligência financeira, o que compromete direitos fundamentais e o funcionamento do sistema de Justiça.

Segundo o ministro, os documentos estavam sendo utilizados como instrumentos de pressão, constrangimento e até extorsão, sem relação direta com investigações legítimas.

Ele também destacou que o problema não é pontual, mas estrutural, classificando a situação como um possível “risco sistêmico”.

Decisão reforça limites legais da inteligência financeira

Na avaliação do ministro, a inteligência financeira não autoriza acesso irrestrito a contas bancárias nem pode ser utilizada para devassas genéricas ou coleta indiscriminada de dados patrimoniais.

Moraes ressaltou que o foco da discussão não está na validade dos relatórios, mas na forma como eles vêm sendo solicitados e utilizados, muitas vezes sem controle judicial adequado ou finalidade definida.

Investigação de vazamento de dados segue em andamento

A decisão também está relacionada a uma investigação em curso que apura o vazamento de dados sigilosos de autoridades, incluindo ministros do STF, integrantes do Tribunal de Contas da União e políticos.

A Polícia Federal do Brasil chegou a prender um contador apontado como um dos responsáveis por um esquema criminoso de obtenção e venda ilegal dessas informações.

De acordo com as investigações, o grupo teria acessado dados da Declaração de Imposto de Renda de 1.819 pessoas.

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