BRASIL - O governo Lula descartou, por enquanto, uma conversa direta entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a decisão americana de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Segundo auxiliares do Palácio do Planalto, a medida foi recebida com surpresa pelo governo brasileiro e, neste momento, não haveria justificativa para um contato imediato entre os dois chefes de Estado. A orientação interna é agir com cautela para evitar um agravamento das tensões diplomáticas entre os países.
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Governo Lula avalia impactos da decisão dos EUA
Integrantes do governo afirmam que a classificação do PCC e do CV como grupos terroristas está sendo analisada por diferentes áreas da administração federal. O presidente Lula teria solicitado levantamentos técnicos a ministérios estratégicos para avaliar os possíveis desdobramentos da medida.
Entre os órgãos envolvidos estão:
- Ministério da Fazenda;
- Ministério da Justiça e Segurança Pública;
- Ministério das Relações Exteriores.
A preocupação central é evitar que a decisão americana resulte em novas sanções ou medidas econômicas que possam afetar o Brasil.
Itamaraty deve conduzir negociações
De acordo com interlocutores do governo, o Itamaraty deverá liderar as tratativas com os Estados Unidos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que pretende conversar com autoridades americanas ainda nesta semana para buscar esclarecimentos sobre a decisão.
Segundo ele, o combate às organizações criminosas é uma prioridade do governo brasileiro, mas isso não deve comprometer a relação bilateral entre os países.
Preocupação com economia e sistema financeiro
No Planalto, existe preocupação com possíveis reflexos da medida em setores estratégicos da economia brasileira, especialmente o agronegócio e o sistema financeiro.
Um dos pontos acompanhados pelo governo é o Pix. Auxiliares de Lula avaliam que autoridades americanas poderiam alegar que o sistema facilita a movimentação de recursos ligados ao crime organizado, o que abriria espaço para questionamentos ou restrições envolvendo instituições financeiras brasileiras.
Decisão ocorreu após encontro de Flávio Bolsonaro com Trump
A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas foi anunciada poucos dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como um dos principais adversários de Lula na disputa presidencial de 2026, se reunir com Donald Trump nos Estados Unidos.
Apesar da coincidência temporal, o governo brasileiro tem concentrado esforços na avaliação dos impactos da medida e evita, por ora, ampliar o embate diplomático com Washington. A possibilidade de uma conversa entre Lula e Trump no futuro não está descartada, mas auxiliares afirmam que o momento exige prudência e articulação técnica por canais diplomáticos.
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