BRASÍLIA – As contas públicas do setor público consolidado registraram déficit primário de R$ 56,1 bilhões em maio, informou o Banco Central (BC) nesta terça-feira (30). No mesmo período, a dívida pública subiu para 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior patamar desde maio de 2021.
Na comparação com maio do ano passado, quando o déficit foi de R$ 33,7 bilhões, houve piora no resultado fiscal.
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O levantamento considera as contas do governo federal, estados, municípios e empresas estatais, sem incluir o pagamento dos juros da dívida pública.
Contas públicas no ano
Nos cinco primeiros meses de 2026, as contas públicas acumulam déficit primário de R$ 24,9 bilhões, equivalente a 0,45% do PIB.
No mesmo período de 2025, havia sido registrado superávit de R$ 69,1 bilhões, ou 1,34% do PIB.
Segundo o Banco Central, parte da piora está relacionada à antecipação do pagamento de precatórios realizada neste ano pelo Tesouro Nacional.
Apenas o governo federal apresentou déficit de R$ 46,1 bilhões no acumulado do ano, enquanto, no mesmo período do ano passado, havia registrado superávit de R$ 31,2 bilhões.
Dívida cresce
Com o resultado de maio, a dívida bruta do setor público alcançou R$ 10,62 trilhões, o equivalente a 81,1% do PIB.
É o maior percentual registrado desde maio de 2021, quando a dívida correspondia a 81,4% do PIB.
Segundo os dados oficiais, desde o início do atual governo, o indicador avançou 9,4 pontos percentuais.
Pelo conceito utilizado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que inclui títulos públicos na carteira do Banco Central, o endividamento brasileiro chegou a 94,3% do PIB em maio.
Juros pressionam resultado
Quando são incorporadas as despesas com juros da dívida, o chamado resultado nominal, o déficit do setor público chegou a R$ 163,7 bilhões em maio.
No acumulado de 12 meses, o resultado negativo alcançou R$ 1,26 trilhão, equivalente a 9,62% do PIB.
Segundo o Banco Central, as despesas com juros somaram R$ 1,1 trilhão nos últimos 12 meses, o equivalente a 8,5% do PIB.
Arcabouço fiscal
Para conter o crescimento da dívida, o governo adotou, em 2023, o novo arcabouço fiscal, que limita o crescimento das despesas públicas.
Pelas regras atuais, os gastos não podem crescer acima de 70% do aumento da arrecadação e o avanço real das despesas fica limitado a 2,5% ao ano.
Especialistas em contas públicas, no entanto, avaliam que, sem novas medidas de contenção de despesas, a regra poderá precisar ser alterada nos próximos anos diante do avanço do endividamento.
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