BRASIL – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (30), durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Assunção, no Paraguai, que pretende disputar a reeleição nas eleições de outubro para "garantir" a democracia no Brasil. A declaração foi feita de improviso, após um discurso voltado às relações entre os países do bloco e à integração regional.
Segundo Lula, a democracia enfrenta ameaças em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil, e sua candidatura busca assegurar a continuidade do regime democrático.
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"Vou concorrer às eleições para garantir que o país se mantenha como um país democrático", afirmou o presidente.
A Lula reeleição também foi relacionada pelo presidente ao fortalecimento das instituições e à necessidade de manter a estabilidade política em um cenário internacional marcado por conflitos e polarização.
Lula defende Mercosul acima de diferenças ideológicas
Durante o encontro, Lula defendeu que o Mercosul mantenha sua atuação independentemente da orientação política dos governos eleitos em cada país.
Para o presidente, o bloco não pode depender das mudanças de governo para continuar funcionando e fortalecendo a integração econômica da América do Sul.
"O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição deste ou daquele presidente", declarou.
Lula afirmou ainda que o Brasil continuará tratando o bloco como prioridade e pediu que os países consolidem as instituições regionais para garantir continuidade aos projetos de integração.
PIX regional e novos acordos comerciais
No discurso, o presidente também propôs que a arquitetura do PIX sirva de base para um sistema regional de pagamentos instantâneos entre os países do Mercosul.
Segundo Lula, a iniciativa poderá:
- reduzir custos nas transações internacionais;
- ampliar o uso de moedas locais;
- facilitar o comércio entre os países do bloco.
O presidente também destacou o avanço de acordos comerciais com Singapura e União Europeia, além das negociações com Canadá, Índia e Vietnã. Ainda segundo ele, o Mercosul iniciará tratativas para uma parceria econômica com o Japão e pretende buscar aproximação semelhante com a China.
Homenagem às vítimas dos terremotos na Venezuela
Antes de iniciar o pronunciamento, Lula propôs um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos terremotos que atingiram a Venezuela na última semana.
O presidente também defendeu a criação de um fundo regional para enfrentamento de desastres naturais e adaptação às mudanças climáticas, classificando a iniciativa como uma necessidade estratégica para a América do Sul.
Na avaliação de Lula, os países da região precisam ampliar a cooperação para responder a eventos climáticos extremos, além dos impactos econômicos provocados por guerras e crises internacionais.
Durante o discurso, o presidente também destacou a evolução do comércio entre os países do Mercosul, que, segundo ele, passou de US$ 4,5 bilhões em 1991 para US$ 50 bilhões em 2025.
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