BRASÍLIA – A decisão do PP de permanecer neutro no primeiro turno da eleição presidencial representa um revés para a estratégia de Flávio Bolsonaro, que buscava ampliar sua coligação com partidos do Centrão antes do início da campanha. Com a posição adotada pelo Progressistas, o União Brasil também seguirá sem apoiar formalmente um candidato, em razão da federação formada pelas duas legendas.
Segundo dirigentes dos partidos, a neutralidade busca preservar margem de negociação com o futuro governo e fortalecer a atuação das siglas a partir de 2027, tanto na formação da Esplanada dos Ministérios quanto nas disputas pelas presidências da Câmara e do Senado.
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O Republicanos ainda mantém conversas com a campanha de Flávio Bolsonaro, mas também tem sinalizado preferência por permanecer independente no primeiro turno.
Neutralidade do Centrão
A posição da federação União Brasil-PP foi consolidada após reunião da cúpula do Progressistas realizada em Brasília. A avaliação das lideranças é que um apoio formal neste momento reduziria o poder de negociação das siglas no próximo ciclo político.
A neutralidade, porém, vale apenas para o primeiro turno. Integrantes dos partidos afirmam que uma eventual aliança no segundo turno continuará sendo avaliada de acordo com o resultado das urnas.
Vice e desgaste político
Na tentativa de ampliar a coligação, a campanha de Flávio Bolsonaro ofereceu à senadora Tereza Cristina (PP-MS) a vaga de vice na chapa presidencial, mas a parlamentar recusou o convite. Segundo aliados, ela pretende concentrar esforços na disputa pela presidência do Senado em 2027.
Além disso, interlocutores do PP afirmam que a relação entre Flávio e parte da direção da legenda se desgastou após a operação da Polícia Federal que teve o presidente nacional do partido, Ciro Nogueira, como alvo de investigação envolvendo o Banco Master.
Republicanos mantém conversas
Apesar da cautela, o Republicanos continua negociando com o PL. A ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, permanece como o nome preferido de Flávio Bolsonaro para ocupar a vaga de vice.
As conversas também envolvem acordos para disputas estaduais e a possibilidade de o Republicanos indicar o vice da chapa presidencial. Mesmo assim, dirigentes do partido reconhecem que ainda existem dificuldades para um entendimento nacional.
Discurso gera incômodo
Nos bastidores, interlocutores do Centrão afirmam que declarações recentes de Flávio Bolsonaro sobre a segurança das urnas eletrônicas provocaram desconforto entre lideranças do grupo.
Segundo esses dirigentes, as manifestações reforçaram a percepção de que o senador retomou um discurso semelhante ao adotado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, afastando a expectativa de que apresentasse um perfil mais moderado durante a pré-campanha.
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