BRASIL – A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, apresentou uma notícia de fato ao procurador-geral Eleitoral, Paulo Gonet, pedindo a abertura de uma investigação sobre a participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção nacional do PL que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
A representação sustenta que há indícios de "ingerência externa indevida" no processo eleitoral brasileiro e solicita que o Ministério Público Eleitoral apure as circunstâncias da visita, incluindo sua organização, financiamento e eventual utilização de recursos públicos.
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Representação cita Valdemar, Flávio e Tarcísio
Além de Milei, a petição cita como alvos o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o candidato Flávio Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Segundo a federação, a recepção oficial oferecida ao presidente argentino, incluindo a concessão da Ordem do Ipiranga antes da convenção partidária, justifica a apuração sobre uma possível integração entre a agenda oficial e a agenda política do evento.
Federação aponta discurso de apoio eleitoral
Na representação, os advogados afirmam que Milei extrapolou uma manifestação política ao defender publicamente a candidatura de Flávio Bolsonaro durante a convenção.
Segundo a petição, o presidente argentino afirmou que apenas o senador poderia "parar Lula", o que, na avaliação da federação, configura um pedido explícito de voto em favor do candidato do PL e um pedido implícito de não voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O documento também cita as críticas feitas por Milei ao ministro Alexandre de Moraes e lembra que o presidente do STF, Edson Fachin, classificou essas declarações como incompatíveis com as relações entre Estados soberanos.
Pedido inclui apuração sobre financiamento da visita
A notícia de fato pede que a Procuradoria-Geral Eleitoral esclareça quem financiou a viagem de Milei ao Brasil, incluindo despesas com passagens, hospedagem, transporte, segurança e logística.
A federação também solicita a apuração da natureza jurídica da visita, da eventual utilização de recursos públicos argentinos ou da estrutura do governo de São Paulo e da possível coordenação entre autoridades brasileiras, o governo argentino e o PL na organização da agenda.
Ao final, o pedido requer que a Procuradoria-Geral Eleitoral instaure procedimento para reunir documentos, requisitar informações aos envolvidos e verificar se houve utilização de estruturas públicas ou partidárias que possam ter influenciado o processo eleitoral brasileiro.
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