BRASIL – O governo do Paraguai convocou o embaixador do Brasil em Assunção, José Antonio Marcondes Carvalho, para prestar esclarecimentos sobre declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a respeito da Guerra do Paraguai. Segundo o chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, os presidentes Lula e Santiago Peña trataram do assunto por telefone, embora a conversa não tenha sido confirmada pelo governo brasileiro.
Além da reunião com o embaixador, o Paraguai informou que entregará uma nota oficial ao representante brasileiro.
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Chanceler anuncia entrega de nota oficial
Rubén Ramírez Lezcano afirmou que a convocação do embaixador ocorrerá durante uma reunião na qual será entregue uma manifestação formal do governo paraguaio.
O chanceler também informou que discutiu o episódio com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante a posse da presidente do Peru, Keiko Fujimori, realizada nesta semana em Lima.
Declaração de Lula gerou reação
As declarações foram feitas por Lula na última sexta-feira (24), durante visita à empresa Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), ao defender investimentos nas Forças Armadas e na defesa nacional.
Na ocasião, o presidente afirmou que o Brasil não pode esquecer que, em determinado momento da história, "o Paraguai resolveu invadir o Brasil", em referência ao conflito travado entre 1864 e 1870.
Governo e Congresso do Paraguai criticaram fala
Em nota oficial, o governo paraguaio classificou a Guerra do Paraguai como um episódio extremamente sensível da história nacional.
O conflito, considerado o mais sangrento da América do Sul, resultou na morte de grande parte da população masculina do Paraguai e provocou ampla destruição no país.
Na quarta-feira (29), o Congresso paraguaio também divulgou uma nota de repúdio às declarações de Lula. No documento, parlamentares afirmam que a fala do presidente brasileiro distorce e minimiza a complexidade histórica da guerra e o sofrimento enfrentado pelo povo paraguaio.
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