Repercussão diplomática

Paraguai diz que não quer aprofundar tensão com o Brasil após reunião com embaixador

Governo paraguaio afirmou que recebeu explicações sobre declaração de Lula e disse que pretende encerrar o episódio sem ampliar a tensão entre os países.

Ipolítica, com informações do g1

- Atualizada em 31/07/2026 às 15h42
Paraguai afirma que não pretende ampliar tensão com o Brasil após reunião com embaixador e explicações sobre declaração de Lula.
Paraguai afirma que não pretende ampliar tensão com o Brasil após reunião com embaixador e explicações sobre declaração de Lula. (Roque de Sá/Agência Senado)

BRASIL – O governo do Paraguai afirmou, nesta sexta-feira (31), que não pretende aprofundar a tensão diplomática com o Brasil após reunir-se com o embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes de Carvalho. Segundo autoridades paraguaias, a diplomacia brasileira explicou que as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra do Paraguai foram retiradas de contexto e não tiveram a intenção de ofender o povo paraguaio.

A posição foi anunciada pelo vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, e pelo ministro das Relações Exteriores, Rubén Ramírez Lezcano, um dia depois de o governo paraguaio convocar o embaixador brasileiro para prestar esclarecimentos sobre a fala de Lula.

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Paraguai afirma que não quer ampliar o episódio

Durante coletiva de imprensa, Pedro Alliana afirmou que o Paraguai não pretende transformar o caso em uma crise diplomática e ressaltou que o Brasil atravessa o período eleitoral.

Segundo ele, o embaixador informou que Lula considera que suas declarações foram interpretadas fora do contexto e que não houve intenção de insultar o Paraguai.

"Ele manifestou que isso foi tirado de contexto. Nunca foi a intenção do presidente Lula realmente ressentir ou insultar o Paraguai com essas declarações. Então, nós tampouco queremos aprofundar muito isso", afirmou Alliana.

O vice-presidente acrescentou que o governo paraguaio também não deseja que a questão seja interpretada como uma interferência nas eleições brasileiras.

"Vocês sabem que também estão em plena campanha eleitoral lá [no Brasil] e o que menos queremos é que acreditem que queremos nos imiscuir nessas eleições."

Governo entrega nota de repúdio ao Brasil

A reunião ocorreu na sede da chancelaria paraguaia, em Assunção. Durante o encontro, as autoridades entregaram formalmente ao embaixador brasileiro uma nota de repúdio aprovada pelo Congresso do Paraguai.

O chanceler Rubén Ramírez Lezcano afirmou que, após receber as explicações da diplomacia brasileira e o esclarecimento de que não houve intenção de atingir o povo paraguaio, o governo considera que o episódio pode ser encerrado sem necessidade de ampliar a tensão entre os dois países.

Declaração de Lula motivou reação paraguaia

A controvérsia teve início após uma declaração de Lula durante visita à empresa Avibras, em Jacareí (SP), na semana passada. Ao defender investimentos nas Forças Armadas, o presidente citou a Guerra do Paraguai e afirmou que o conflito começou quando "o Paraguai resolveu invadir o Brasil", mencionando também invasões ao Uruguai e à Argentina.

A fala provocou reação das autoridades paraguaias. O governo classificou o conflito como um tema sensível para a história nacional e o Congresso do país aprovou uma nota de repúdio, afirmando que as declarações distorcem a complexidade histórica da guerra e minimizam o sofrimento vivido pelo povo paraguaio.

Governo brasileiro ainda não se manifestou

Até a última atualização desta reportagem, o governo brasileiro e o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) ainda não haviam se pronunciado sobre as declarações das autoridades paraguaias após a reunião com o embaixador brasileiro.

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