Saúde

AGU notifica YouTube por vídeos com médicos falsos criados por inteligência artificial

Conteúdos usam personagens criados por inteligência artificial para simular especialistas, divulgar tratamentos sem comprovação e promover produtos pagos.

Imirante, com informações do Ministério da Saúde

- Atualizada em 08/09/2026 às 20h46
Conteúdos usam personagens criados por inteligência artificial para simular especialistas, divulgar tratamentos sem comprovação e promover produtos pagos.
Conteúdos usam personagens criados por inteligência artificial para simular especialistas, divulgar tratamentos sem comprovação e promover produtos pagos. (Imagem: Divulgação/MS)

BRASIL - A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou o YouTube para que a plataforma remova ou sinalize vídeos que utilizam inteligência artificial para criar falsos médicos e outros profissionais de saúde com o objetivo de espalhar informações falsas sobre tratamentos e curas sem comprovação científica.

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A medida foi tomada após uma análise do programa Saúde com Ciência, do Ministério da Saúde, que identificou 97 perfis com esse tipo de conteúdo entre 1º de janeiro e 10 de julho de 2026. As informações também foram encaminhadas à Polícia Federal e ao Conselho Federal de Medicina.

A notificação foi elaborada pela Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD) e faz parte de uma ação conjunta para combater a disseminação de desinformação na área da saúde.

Como funcionam os vídeos com médicos falsos criados por IA

Segundo o Ministério da Saúde, os conteúdos utilizam avatares com aparência humana apresentados como médicos ou especialistas, muitas vezes acompanhados de qualificações profissionais inventadas para transmitir autoridade e confiança aos usuários.

Os vídeos costumam utilizar uma linguagem alarmista e promessas de resultados rápidos, incluindo supostas curas e tratamentos alternativos sem respaldo científico.

Parte desses perfis tem como público-alvo pessoas idosas e, em alguns casos, utiliza os personagens criados por inteligência artificial para vender produtos, livros digitais, cursos ou serviços pagos.

Entre os principais riscos apontados pelas autoridades estão a automedicação, o uso de terapias sem eficácia comprovada, o atraso na procura por atendimento médico e até a interrupção de tratamentos indicados por profissionais de saúde.

YouTube terá prazo para avaliar conteúdos

Na notificação enviada na sexta-feira (4/9), a AGU solicitou que o YouTube adote medidas em até 72 horas para retirar do ar os conteúdos identificados pelo Ministério da Saúde ou, quando necessário, aplicar alertas e informações de contexto deixando claro que os personagens apresentados são artificiais.

A plataforma também deverá analisar outros canais e vídeos citados no relatório do Ministério da Saúde com base em suas próprias regras sobre desinformação em saúde e conteúdos gerados por inteligência artificial.

A iniciativa busca impedir que personagens digitais sejam usados para simular autoridade médica e dar credibilidade a informações que podem representar riscos à saúde da população.

Telegram também foi acionado por documentos falsificados

Além da atuação contra vídeos criados com inteligência artificial, a AGU já havia notificado o Telegram após o Ministério da Saúde identificar 18 grupos e canais que comercializavam ilegalmente comprovantes e passaportes vacinais falsificados.

Após a denúncia, a plataforma removeu os grupos e canais indicados e excluiu uma conta identificada durante a investigação. As evidências foram encaminhadas à Polícia Federal.

De acordo com o Ministério da Saúde, os responsáveis ofereciam documentos falsos e anunciavam a possibilidade de inserir informações adulteradas nos sistemas oficiais do Sistema Único de Saúde (SUS).

A prática, segundo o órgão, compromete a confiança nos dados de vacinação e prejudica estratégias de vigilância, controle e prevenção de doenças imunopreveníveis.

Responsabilidade das plataformas digitais

As notificações fazem parte de uma discussão mais ampla sobre a responsabilidade das plataformas digitais diante da circulação de conteúdos ilegais publicados por terceiros.

A AGU destacou que os casos identificados também violam os próprios termos de uso das plataformas, que proíbem conteúdos ilegais e estabelecem medidas como remoção de publicações e bloqueio de contas.

O Ministério da Saúde reforça que o combate à desinformação é uma medida de proteção da população e recomenda que os usuários procurem informações sobre prevenção, diagnóstico e tratamentos em fontes oficiais e confiáveis.

A orientação também é para que conteúdos suspeitos ou que possam colocar pessoas em risco sejam denunciados às plataformas responsáveis.

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