Eleições 2026

Flávio evita ataques à oposição e mira custo de vida por “voto útil”

Com foco no Sudeste e promessas de reduzir o custo de vida, Flávio Bolsonaro busca o voto útil para vencer Lula e evitar um segundo turno na eleição.

Ipolítica, com informações de O Globo

Flávio Bolsonaro evita ataques a candidatos de oposição, reforça discurso sobre custo de vida e busca voto útil no primeiro turno.
Flávio Bolsonaro evita ataques a candidatos de oposição, reforça discurso sobre custo de vida e busca voto útil no primeiro turno. (Evaristo Sá / AFP)

BRASIL – O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, vai reforçar o discurso sobre a redução do custo de vida e buscar o chamado “voto útil” de eleitores que hoje declaram apoio a outros candidatos de direita. A estratégia é tentar antecipar uma migração de votos que poderia ocorrer naturalmente em um eventual segundo turno.

A campanha pretende fazer esse movimento sem ataques diretos a Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). A orientação é apresentar Flávio como o nome com melhores condições, segundo a própria campanha, de enfrentar Lula (PT).

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Na quinta-feira (17), durante um ato em Vitória da Conquista (BA) e em uma live semanal, Flávio fez um apelo aos eleitores dos demais candidatos:

“Vocês que estão pensando em votar em outros candidatos, que são meus concorrentes, pensem na possibilidade de votar em Flávio Bolsonaro no primeiro turno, para a gente resolver logo.”

Custo de vida entra no centro da campanha

Para tentar conquistar eleitores que desaprovam o governo Lula, Flávio passou a dar mais espaço a temas como endividamento, inflação, juros e custo de vida.

Entre as propostas apresentadas pela campanha estão:

redução de impostos sobre energia e combustíveis;

revisão da reforma tributária para diminuir a alíquota do IVA;

investimentos em logística e armazenagem de safras;

estímulo à produção nacional de fertilizantes;

criação de um programa de renegociação de dívidas.

A coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, afirma que o programa de renegociação pretende alcançar mais de 100 milhões de brasileiros e utilizar ativos da União para ajudar na recuperação financeira de pessoas endividadas.

A equipe econômica também defende que a redução mais duradoura da inflação e dos juros depende de um ajuste das contas públicas. A campanha passou a trabalhar com uma meta de corte de despesas equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

O detalhamento sobre quais despesas seriam reduzidas, porém, ainda não foi apresentado. Segundo a campanha, o desenho técnico completo das medidas será divulgado após a eleição.

Disputa pelo eleitor endividado

O discurso sobre custo de vida e endividamento também mira eleitores de classe média e de renda mais baixa, segmentos disputados pela campanha de Lula.

O coordenador da candidatura de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), busca associar inflação, juros, endividamento e dificuldade de acesso ao crédito à atual gestão federal.

“O PT mente no Orçamento e afunda os brasileiros em dívidas. Voltaremos a ter responsabilidade fiscal, controle da inflação, juros baixos e crédito acessível para que as famílias brasileiras voltem a comprar móveis e eletrodomésticos, não apenas o básico”, afirmou Marinho.

Bolsa Família

O reajuste de 15% do Bolsa Família anunciado pelo governo também entrou na estratégia da campanha.

Flávio criticou o momento escolhido para o aumento e atribuiu à medida uma finalidade eleitoral, mas decidiu não recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar suspender o reajuste.

O deputado Zé Trovão (PL-SC) apresentou uma ação contra a medida, mas o movimento foi desautorizado publicamente por Flávio. O relator do caso, ministro André Mendonça, rejeitou o pedido.

A campanha afirma que sua estratégia é não recorrer contra o aumento do benefício. Nas redes sociais, aliados têm concentrado as críticas no momento do anúncio, sem atacar diretamente o reajuste.

Flávio chamou o aumento de “merreca” e questionou por que Lula não havia ampliado o benefício anteriormente. Depois, afirmou que o presidente tentava “comprar o voto dos pobres” com a medida.

Foco no Sudeste

A busca pelo voto útil será acompanhada por uma concentração das agendas de Flávio no Sudeste nas duas semanas que antecedem o primeiro turno.

A campanha pretende priorizar São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores colégios eleitorais do país. Juntos, os estados concentram cerca de 40% do eleitorado brasileiro.

A previsão é que Flávio passe por cada um deles pelo menos duas vezes até o fim da campanha e encerre as agendas do primeiro turno no Rio de Janeiro.

A estratégia também considera o desempenho registrado pela candidatura na região nas pesquisas. Segundo levantamento da Quaest citado pelo jornal, Flávio aparecia à frente de Lula no Sudeste em uma simulação de segundo turno.

STF continua entre os temas da campanha

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF), que ganhou espaço no discurso de Flávio nas últimas semanas, continuará sendo abordada, mas deverá dividir espaço com a agenda econômica.

Na semana passada, o candidato dedicou parte de seu programa eleitoral a um pronunciamento de 4 minutos e 20 segundos. Na fala, mencionou um “desequilíbrio institucional” e associou Lula ao ministro Alexandre de Moraes.

A campanha também acompanha o desgaste provocado pela investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, relacionado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), integrante da campanha, afirmou que o tema do STF pode ajudar na aproximação com eleitores de Caiado e Zema.

“Já vimos muitas pessoas pedindo que os eleitores do Zema e Caiado entendam esse momento. A questão do STF é favorável à direita, porque todo mundo sabe a relação entre Lula e STF”, afirmou.

Estratégia evita ataques aos adversários

Apesar de buscar eleitores de outros candidatos, a campanha de Flávio pretende evitar um confronto direto com os nomes da direita.

A estratégia é preservar as relações políticas para uma eventual segunda etapa da eleição e, ao mesmo tempo, tentar convencer os eleitores de Cury, Caiado, Renan e Zema a antecipar o voto em Flávio.

O movimento, porém, provocou reação entre os adversários.

Caiado classificou a estratégia de “desrespeitosa”.

Renan Santos, por sua vez, minimizou a possibilidade de perder apoio na reta final e afirmou que pretende continuar fazendo oposição a Flávio.

“Se tem algum efeito, é marginal. Ele está aproveitando que o momento agora é bom para ele para tentar fazer isso”, afirmou Renan.

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