Política internacional

Lula diz que Trump “age como imperador” e avalia reciprocidade

Em Nova York, Lula afirmou que Donald Trump age como imperador. Governo brasileiro analisa aplicar lei de reciprocidade sobre produtos dos EUA.

Ipolítica, com informações do G1

- Atualizada em 21/09/2026 às 17h00
Lula critica postura de Trump, diz que avalia aplicar reciprocidade comercial e classifica ação dos EUA na Venezuela como muito grave.
Lula critica postura de Trump, diz que avalia aplicar reciprocidade comercial e classifica ação dos EUA na Venezuela como muito grave. (EFE/ Sarah Yenesel/ Jim Lo Scalzo ARQUIVO)

BRASIL – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (21) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “age como imperador” ao impor suas regras a outros países. Em entrevista à CNN, Lula também disse que o governo brasileiro avalia aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica caso as negociações com os Estados Unidos sobre as tarifas impostas a produtos brasileiros não avancem.

Lula está nos Estados Unidos para participar da abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22), em Nova York.

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Ao comentar a postura de Trump, o presidente brasileiro afirmou que não concorda com uma política baseada na força econômica.

Ele [Trump] age como imperador. É uma forma de governar com a qual eu não concordo. É uma forma de governar em que, como sou o mais rico, posso fazer tudo e todos os outros têm que obedecer. É a lei do mais forte. Eu não concordo com isso”, afirmou.

Lula diz que pode aplicar reciprocidade

Apesar das críticas a Trump, Lula afirmou que pretende continuar tentando negociar a redução das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

O presidente voltou a dizer que considera injustas as medidas adotadas pelo governo americano e citou o déficit comercial do Brasil com os Estados Unidos.

Segundo Lula, enquanto houver negociação, o Brasil não deve aplicar imediatamente a legislação de reciprocidade. Caso não haja acordo, porém, o governo poderá adotar medidas contra produtos americanos.

Enquanto nós estivermos na mesa de negociações, não há por que aplicar a lei de reciprocidade. Eu tenho que ser mais paciente, mas é importante que você saiba: se não tiver acordo, vamos ter que aplicar a lei de reciprocidade”, disse.

Uma das possibilidades avaliadas pelo governo é elaborar uma lista de produtos dos Estados Unidos que poderiam receber tarifas adicionais.

Tarifaço dos Estados Unidos

As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos foram tensionadas após o governo de Trump impor sobretaxas sobre produtos brasileiros.

As medidas mencionadas pelo governo brasileiro somam até 37,5% sobre determinadas exportações.

A ofensiva inclui uma tarifa de 25% relacionada à Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos e uma alíquota adicional de 12,5%, aplicada sob a justificativa de falhas na fiscalização contra o trabalho forçado.

Entre os produtos atingidos estão itens como etanol e máquinas agrícolas. Carne bovina, café e celulose ficaram entre os produtos incluídos nas isenções.

Em resposta às medidas americanas, o governo brasileiro acionou a Lei de Reciprocidade Econômica e iniciou consultas diplomáticas para contestar as barreiras comerciais nas negociações bilaterais e na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Até o momento, porém, o Brasil não aplicou novas tarifas ou outra forma de retaliação comercial contra produtos dos Estados Unidos.

Lula classifica ação dos EUA na Venezuela como “muito grave”

Durante a entrevista à CNN, Lula também comentou a situação da Venezuela e classificou como “muito grave” a ação militar dos Estados Unidos no país vizinho.

Segundo o presidente brasileiro, militares americanos invadiram a Venezuela em janeiro e capturaram Nicolás Maduro, que atualmente está preso nos Estados Unidos.

Lula defendeu a realização de eleições na Venezuela como forma de solucionar a crise política do país.

A declaração ocorreu durante a passagem do presidente brasileiro pelos Estados Unidos, onde ele também participa das atividades relacionadas à Assembleia Geral da ONU.

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