Criador de personagem de IA diz que intuito era gerar vendas e relata medo após repercussão
Administrador afirma que criou a personagem em 2025 para divulgar produtos e conseguir renda extra nas redes sociais.
MINAS GERAIS - O responsável pela criação de uma personagem feminina feita por inteligência artificial (IA), que levou um pedreiro a viajar mais de 2 mil quilômetros do Maranhão a Minas Gerais para tentar encontrá-la, afirmou que o objetivo do perfil era gerar vendas nas redes sociais. Em entrevista ao g1, publicada nesta quinta-feira (15), o administrador, que não quis se identificar, também relatou estar com medo após a repercussão do caso.
A personagem, chamada Jéssica Oliveira, foi criada em 2025 para atrair público e divulgar produtos como afiliada em plataformas de comércio eletrônico. O responsável nega ter conversado diretamente com Edimar Rocha Martins, de 49 anos, que saiu de Imperatriz, no Maranhão, com destino a Belo Horizonte, acreditando que encontraria a mulher com quem estaria se relacionando pela internet.
Perfil prometia sustentar companheiro
Nos vídeos publicados nas redes sociais, Jéssica se apresentava como viúva e dizia procurar um homem para viver com ela em uma fazenda. Em algumas gravações, a personagem prometia sustentar o futuro companheiro e o convidava a se mudar para Minas Gerais.
O perfil acumulou mais de 300 mil seguidores no TikTok e também teve conteúdos compartilhados em outras plataformas. As publicações misturavam mensagens sobre relacionamento com divulgação de produtos.
Segundo o administrador, os vídeos tinham a intenção de chamar a atenção dos usuários para, posteriormente, direcioná-los às vendas. Ele afirmou que nunca manteve contato particular com Edimar e disse não saber se outras pessoas utilizaram os conteúdos da personagem em outros perfis.
Pedreiro saiu de Imperatriz para encontrar personagem
Edimar viajou cerca de 2,1 mil quilômetros até Belo Horizonte após acreditar nas mensagens e nos convites que, segundo ele, recebia pelas redes sociais. O pedreiro chegou à capital mineira no domingo (11), depois de mais de 36 horas de viagem.
Ao chegar ao destino, descobriu que a mulher era uma personagem criada por inteligência artificial. Sem dinheiro para retornar, ele recebeu assistência da Prefeitura de Belo Horizonte, que providenciou uma passagem para Augustinópolis, no Tocantins, cidade onde nasceu.
Edimar relatou que a solidão e o desejo de recomeçar a vida influenciaram sua decisão de viajar. O caso ganhou repercussão nas redes sociais após a divulgação da história.
Criador diz estar com medo após repercussão
O administrador afirmou que não esperava que os vídeos provocassem uma situação como a vivida pelo pedreiro. Segundo ele, o perfil havia deixado de gerar renda e estava praticamente abandonado. A conta foi desativada após a repercussão do caso.
O responsável também alertou para o uso da inteligência artificial em conteúdos publicados na internet e recomendou que as pessoas verifiquem se os perfis são reais antes de acreditar nas informações ou tomar decisões importantes com base nas publicações.
A Polícia Civil de Minas Gerais informou, conforme relatos divulgados sobre o caso, que a criação de personagens fictícios por inteligência artificial não constitui, por si só, uma infração penal. Até a publicação das reportagens consultadas, não havia registro de ocorrência relacionado ao episódio.
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