Eleições 2026

Jovens intensificam mobilização política na reta final do segundo turno

Com queda de 2 milhões de votantes, jovens intensificam mobilização política nas ruas e redes para conquistar votos na reta final do 2º turno da eleição.

Ipolítica, com informações do G1

Jovens intensificam atos, debates e campanhas nas redes sociais para conquistar votos para Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Jovens intensificam atos, debates e campanhas nas redes sociais para conquistar votos para Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno. (Tânia Rêgo / Agência Brasil)

BRASIL – Jovens apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) intensificaram a mobilização para conquistar votos na reta final do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. Atos nas ruas, atividades em universidades, debates e campanhas nas redes sociais estão entre as estratégias utilizadas para convencer indecisos, ampliar o apoio aos candidatos e reduzir a abstenção.

No primeiro turno de 2026, 14,9 milhões de brasileiros de 16 a 24 anos foram às urnas. O número representa uma redução de aproximadamente 2 milhões de eleitores nessa faixa etária em comparação com 2022, quando 16,9 milhões participaram da votação.

O resultado apertado da disputa presidencial levou apoiadores dos dois candidatos a intensificar as ações para alcançar novos eleitores. Em entrevista ao g1, jovens de diferentes posições políticas relataram como pretendem ampliar a mobilização até o dia da votação.

Isadora de Oliveira, de 24 anos, ajudou a organizar um ato em apoio a Lula que reuniu cerca de 60 mil pessoas em Brasília (DF), em 13 de outubro. Ela afirmou que a estratégia inclui ocupar espaços públicos e conversar diretamente com a população.

“A gente quer ocupar faculdades, ônibus, metrô e conversar com as pessoas para mostrar que o futuro que a gente precisa não cabe no projeto da extrema-direita nem no de Flávio Bolsonaro, mas que será construído por nós, a partir da luta dos estudantes”, disse.

Do outro lado da disputa, João Pedro Porto, de 18 anos, coordena um grupo universitário de oposição ao presidente, que tenta a reeleição. Desde o fim do primeiro turno, ele afirma ter organizado adesivaços e mobilizado atos em frente à faculdade.

Redes sociais são usadas para ampliar o alcance das campanhas

A mobilização digital é uma das principais estratégias adotadas pelos jovens para conquistar novos eleitores e estimular a participação política.

Alexandra Carvalho, de 22 anos, criou um canal de mensagens para divulgar diariamente materiais de campanha de Flávio Bolsonaro e incentivar outros jovens a participar das ações eleitorais. O grupo também organiza reuniões e protestos na faculdade onde ela estuda.

“A nossa força não pode ficar apenas nas telas. Precisamos levar essa mobilização para as faculdades, para as ruas e para os espaços de debate, porque a direita não quer apenas ocupar as redes sociais”, afirmou.

A apoiadora de Lula Daniella Dutra, de 21 anos, também ampliou sua atuação nas plataformas digitais. Ela tornou público, no segundo turno, um perfil que antes era privado para falar sobre política e tentar alcançar pessoas de fora de seu círculo habitual.

“É importante ir para a rua, mas também fazer a mobilização nas redes sociais. Eu aumentei o nível de postagem e de relação com pessoas de outros estados. A gente tem que também saber falar com as pessoas de fora”, disse.

Banquinhas vira-voto e debates nas escolas

Além das redes sociais, conversas presenciais em universidades, paradas de ônibus e escolas também fazem parte das ações de mobilização.

Bruna Lima, de 20 anos, participa da organização de banquinhas vira-voto em paradas de ônibus e universidades. A proposta é conversar diretamente com os eleitores, ouvir dúvidas e apresentar argumentos para tentar conquistar novos votos.

“A gente está indo sempre para olhar olho no olho do trabalhador e falar: por que você votou no Flávio Bolsonaro? Ou então por que você não saiu de casa para votar? E dar argumentos, debater, trazer fatos, trazer a história para que a gente consiga, de fato, fazer essa virada”, afirmou.

Na escola, Maria Clara Lobão, de 16 anos, decidiu participar da campanha por meio de debates com outros estudantes. Embora o voto seja facultativo para adolescentes dessa idade, ela afirma que as conversas têm estimulado reflexões sobre as escolhas eleitorais.

“Com os debates entre os jovens do meu ciclo, vejo mais gente mudando de postura. Amigos que na eleição passada se posicionavam de um jeito, muitas vezes apenas reproduzindo a opinião dos pais, hoje pensam diferente, estão mais velhos e pesquisam por conta própria”, contou.

No Brasil, o voto é facultativo para jovens de 16 e 17 anos e obrigatório a partir dos 18 anos. No primeiro turno de 2026, 1,4 milhão de adolescentes exerceram o direito ao voto facultativo.

Cientista política explica o papel dos jovens na disputa

Para a cientista política Marcela Machado, o segundo turno costuma mobilizar mais o público jovem do que a primeira etapa da eleição. Segundo ela, a disputa final pode aumentar a pressão para que os eleitores se posicionem, enquanto a participação de amigos e pessoas próximas influencia as decisões.

A especialista também afirma que os jovens funcionam como um “filtro” e um “atalho cognitivo” dentro dos círculos sociais, ao levar informações e discussões políticas a pessoas que não acompanham diretamente a propaganda eleitoral ou os candidatos.

“Ao ver amigos e pessoas próximas se envolvendo nas campanhas, o jovem é estimulado a tomar uma decisão: ‘está todo mundo fazendo, eu vou também’, mesmo sem se considerar tão engajado ou totalmente inclinado àquele candidato. Além disso, quando o jovem produz conteúdo e debate política nos espaços que frequenta, ele leva a mensagem a quem não assiste ao horário eleitoral e não segue candidatos, mas convive com ele”, explicou.

Número de jovens eleitores diminuiu em relação a 2022

Apesar da intensificação das campanhas, os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o número de jovens aptos a votar também caiu em relação à eleição presidencial anterior.

Confira os números:

  • 2026: 19,2 milhões de jovens de 16 a 24 anos estavam aptos a votar no primeiro turno.
  • 2022: 21,4 milhões de eleitores da mesma faixa etária estavam aptos a votar no primeiro turno.

Na votação deste ano, 14,9 milhões de jovens de 16 a 24 anos compareceram às urnas, ante 16,9 milhões em 2022.

Com o segundo turno se aproximando, apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro apostam na mobilização presencial e digital para ampliar o alcance das campanhas e convencer eleitores a participar da decisão presidencial.

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