Avanço das voçorocas

Crise das voçorocas: entenda ponto a ponto sobre as enormes crateras em Buriticupu

Crise das voçorocas já deixou mortos, ameaça famílias e destrói bairros de Buriticupu. Justiça cobra plano de contenção.

Imirante, com informações do g1 MA

Atualizada em 14/03/2026 às 08h56
Voçorocas colocam famílias em risco em cidade do Maranhão. (Foto: Reprodução/TV Mirante)
Voçorocas colocam famílias em risco em cidade do Maranhão. (Foto: Reprodução/TV Mirante)

BURITICUPU - O avanço das voçorocas em Buriticupu, no interior do Maranhão, se tornou um dos maiores problemas ambientais e urbanos da cidade. Há cerca de 30 anos, enormes crateras avançam sobre bairros inteiros, destruindo ruas, casas e colocando moradores em risco.

Segundo levantamentos oficiais, já são 33 voçorocas catalogadas no município. O problema já deixou sete mortos, afeta cerca de 360 famílias e apresenta trechos com buracos que chegam a 80 metros de profundidade.

Mesmo com decisões da Justiça e cobranças do Ministério Público, as medidas para conter o avanço das erosões ainda não foram totalmente executadas.

Como o problema das voçorocas começou em Buritucupu

Buriticupu tem cerca de 55 mil habitantes e foi construída em uma área de solo frágil, suscetível à erosão. Especialistas apontam que o avanço das voçorocas está ligado a fatores como:

desmatamento intenso;

crescimento urbano sem planejamento;

falta de sistema de drenagem;

características naturais do solo.

Moradores também relacionam o problema ao início da ocupação da cidade, na década de 1980, quando houve exploração irregular de madeira e pedras e pouca organização urbana.

Crateras avançam e famílias deixam casas

Com o passar dos anos, as erosões cresceram e passaram a atingir áreas urbanas. Em vários bairros, moradores precisaram abandonar as casas por causa do risco de desabamento.

Até 2024, pelo menos 180 famílias estavam em situação de risco, e outras deixaram as residências em 2025 após o avanço das crateras.

Justiça cobra medidas do município

A Justiça do Maranhão determinou, desde 2020, uma série de medidas para conter o problema. Entre as determinações estão:

isolamento e sinalização das áreas de risco;

remoção de famílias em perigo e pagamento de aluguel social;

obras de drenagem e contenção das erosões;

recuperação ambiental das áreas degradadas.

Apesar das decisões judiciais, muitas dessas ações não foram concluídas.

Recursos federais foram liberados para Buriticupu

O Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional informou que R$ 32,9 milhões foram destinados a Buriticupu em 2024 para ações de defesa civil, habitação e obras de drenagem.

Parte dos recursos seria usada na reconstrução de 59 moradias e em obras de infraestrutura para reduzir os impactos das erosões.

No entanto, as obras avançaram pouco. Entre os problemas apontados:

casas concluídas que nunca foram entregues;

construções paradas e deterioradas;

escola prevista no conjunto habitacional abandonada.

Calamidade pública

Em fevereiro de 2025, a Prefeitura de Buriticupu decretou estado de calamidade pública por causa do avanço das voçorocas.

O município alegou falta de recursos próprios e dificuldades para iniciar obras de grande porte sem apoio técnico e financeiro da União.

O governo federal, porém, afirmou que parte dos recursos já havia sido repassada e que novos valores dependiam da apresentação de projetos técnicos pela prefeitura.

Justiça volta a cobrar ações urgentes

Em decisão mais recente, a Justiça determinou um novo cronograma para que o município:

isole todas as áreas de risco;

atualize o cadastro das famílias afetadas;

apresente um plano detalhado de contenção das voçorocas;

execute ações de recuperação ambiental.

O descumprimento pode gerar multa diária de até R$ 50 mil, limitada a R$ 2 milhões.

Ministério Público investiga omissão

O Ministério Público do Maranhão (MP-MA) também entrou com ação de improbidade administrativa contra o secretário municipal de Infraestrutura, Lucas Rafael da Conceição Pereira.

Segundo o MP, o gestor não apresentou informações sobre obras de contenção das voçorocas, mesmo após várias solicitações.

O órgão pede o afastamento do secretário enquanto o caso é analisado pela Justiça.

Até a publicação desta reportagem, a Prefeitura de Buriticupu e o secretário citado não haviam se manifestado.

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