Argentina descarta reação após Brasil rebaixar relações diplomáticas
A Argentina afirmou que não adotará medidas contra o Brasil após o rebaixamento das relações diplomáticas anunciado pelo governo brasileiro
BUENOS AIRES – A Argentina não adotará medidas em resposta ao rebaixamento das relações diplomáticas com o Brasil, afirmou nesta quarta-feira (5) o ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, durante uma coletiva de imprensa. A declaração ocorre um dia após o chanceler criticar a decisão do governo brasileiro de reduzir o nível da representação diplomática entre os dois países.
O Itamaraty anunciou que manterá o embaixador brasileiro em Buenos Aires em território nacional enquanto o presidente argentino, Javier Milei, mantiver ataques ao Brasil. O governo brasileiro também solicitou o retorno do embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi.
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Resposta da Argentina
Em nota, o governo argentino classificou a decisão do Brasil como uma medida motivada por "questões puramente ideológicas" e afirmou que recebeu a iniciativa de forma unilateral.
Segundo a chancelaria argentina, o país não transformou divergências políticas em incidentes diplomáticos nos últimos anos, apesar de episódios envolvendo manifestações e apoios entre lideranças dos dois países.
O governo de Javier Milei também declarou que as relações entre os Estados devem ser guiadas pelos interesses permanentes dos povos, e não por interesses políticos ou pessoais dos governantes.
Diplomatas brasileiros afirmaram que, diante do rebaixamento das relações, Daniel Raimondi não deve permanecer no Brasil, mas ressaltaram que a medida não configura expulsão formal do diplomata.
Como começou a crise
A tensão entre os dois países teve início após a participação de Javier Milei na convenção nacional do PL, realizada em 25 de julho, em São Paulo, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Durante o evento, o presidente argentino chamou Luiz Inácio Lula da Silva de "presidiário".
No dia seguinte, Milei acusou o Brasil de liderar uma "campanha anti-Argentina" durante a Copa do Mundo e afirmou que Lula enviou marqueteiros ao país para apoiar Sergio Massa nas eleições presidenciais argentinas de 2023.
No domingo (2), em entrevista à emissora argentina LN+, Milei voltou a elevar o tom ao chamar Lula de "ladrão" e "corrupto". Também questionou as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que anularam as condenações do presidente brasileiro na Operação Lava Jato.
Ao comentar a reação do governo brasileiro, o presidente argentino afirmou que não considera suas declarações agressivas e disse que as falas foram "palavras espontâneas".
Reação do Brasil
Após as primeiras declarações de Milei, o Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília para manifestar o descontentamento do governo brasileiro e chamou para consultas o embaixador do Brasil em Buenos Aires.
Na ocasião, o Ministério das Relações Exteriores classificou o episódio como "sem precedentes". O chanceler Mauro Vieira considerou o caso grave, mas descartou, naquele momento, medidas mais severas.
Inicialmente, Lula evitou comentar as declarações do presidente argentino. Dias depois, porém, endureceu o discurso e classificou como uma "patacoada" a participação de Milei no evento do PL.
Durante um ato do PSB, o presidente afirmou que não aceitaria interferências externas na política brasileira e declarou que mantém respeito pelo povo argentino, mas não pretende alimentar a troca de acusações com Javier Milei.
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