Trágedia

Número de mortos em desastre no Himalaia se aproxima de 800

Colapso de geleira provocou uma onda de gelo, lama e detritos que atingiu áreas do Nepal e do Tibete; mais de 3 mil pessoas estão desaparecidas.

Imirante.com

- Atualizada em 30/08/2026 às 18h39
As equipes de resgate enfrentam dificuldades provocadas pelas condições climáticas e pelo risco de novas inundações.
As equipes de resgate enfrentam dificuldades provocadas pelas condições climáticas e pelo risco de novas inundações. (Foto: divulgação)

NEPAL – O número de mortos após o colapso de uma geleira que provocou enchentes e deslizamentos no Himalaia se aproximou de 800 neste domingo (30). As autoridades do Nepal contabilizam 781 mortes, enquanto outras 16 foram registradas no condado de Gyirong, no Tibete, região autônoma da China. Mais de 3 mil pessoas continuam desaparecidas nos dois lados da fronteira.

O desastre ocorreu na quarta-feira (26), quando o colapso de uma geleira desencadeou uma enorme corrente de gelo, pedras, lama e outros detritos, que avançou por vales e rios da região. A força da inundação destruiu comunidades, estradas e estruturas de infraestrutura, além de deixar milhares de pessoas isoladas. A Cruz Vermelha estima que mais de 90 mil pessoas tenham sido afetadas.

Buscas são prejudicadas pelo mau tempo

As equipes de resgate enfrentam dificuldades provocadas pelas condições climáticas e pelo risco de novas inundações. No Nepal, o nível do rio Trishuli voltou a subir após novas chuvas, levando moradores e socorristas a procurarem áreas mais elevadas.

As operações também foram interrompidas em diferentes momentos por causa da possibilidade de transbordamento de um lago formado na fronteira entre o Nepal e a China. Embora o lago tenha sido parcialmente drenado, drones identificaram um novo deslizamento a cerca de 2,8 quilômetros de distância, formando uma nova barreira e outro reservatório de água.

Trabalhadores podem estar presos em túnel

Parte dos esforços está concentrada em cinco projetos hidrelétricos atingidos pelas enchentes. Entre eles está o complexo Upper Trishuli, onde cerca de 350 pessoas podem estar presas dentro de um túnel.

Cerca de 10 mil soldados nepaleses foram mobilizados para as operações, com apoio de equipes especializadas da China e da Índia. Neste domingo, máquinas pesadas foram levadas de avião para a região, e os socorristas começaram a retirar os escombros que bloqueavam a entrada do túnel.

As autoridades planejam enviar equipes equipadas com oxigênio e câmeras para dentro da estrutura assim que o acesso for considerado seguro. O trabalho, porém, é considerado de alta complexidade devido à quantidade de detritos.

“É muito difícil porque há muitos escombros e não podemos usar explosivos para abrir caminho”, afirmou Dharam Raj Uprety, chefe da autoridade nacional de gestão de desastres do Nepal.

Estrangeiros estão entre os desaparecidos

Do lado chinês, 546 pessoas continuam desaparecidas no condado de Gyirong. Segundo Pequim, 261 estrangeiros de 23 países estão entre os desaparecidos no Tibete, próximo a um importante ponto de passagem entre a China e o Nepal.

O governo do Nepal informou que também necessita de apoio internacional para atividades especializadas, como resgate em túneis, realização de testes de DNA, armazenamento refrigerado de corpos e identificação forense de vítimas.

A China relacionou o desastre aos efeitos das mudanças climáticas. O ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, classificou o episódio como o mais grave desastre transfronteiriço dos últimos anos e afirmou que as operações de resgate alcançaram um nível sem precedentes de dificuldade e complexidade.

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