MUNDO – O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio a uma crise bancária e à abertura de um processo de impeachment no Congresso. A crise começou após o fechamento do banco digital Ueno, que deixou milhões de clientes sem acesso ao próprio dinheiro.
Em um vídeo, Peña pediu desculpas e afirmou que decidiu deixar a Presidência em nome da estabilidade do país. “Hoje, devemos mostrar, mais uma vez, que respeitamos a democracia”, declarou.
A renúncia ocorreu depois que aliados do presidente retiraram o apoio ao governo e passaram a defender sua saída. Mais cedo, a Câmara dos Deputados havia iniciado uma sessão extraordinária para discutir o pedido de impeachment. Todas as bancadas da Casa tinham anunciado apoio à abertura do processo.
Peña, que assumiu o governo em 2023, também enfrentava acusações de conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários. A oposição questionava ainda a atuação do Banco Central paraguaio diante das irregularidades envolvendo a instituição financeira.
Crise começou com fechamento do banco Ueno
O banco digital Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez, fechou as portas na terça-feira (3), após o Banco Central do Paraguai iniciar o processo de liquidação da instituição. A autoridade monetária identificou insuficiência de recursos para cobrir as obrigações do banco, relacionada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à própria instituição.
O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
Peña foi acionista do grupo proprietário do Ueno até março de 2025. A oposição acusa o presidente de ter mantido relações que configurariam conflito de interesses e aponta que o Banco Central teria encoberto irregularidades.
Durante a sessão que discutia o impeachment, a deputada oposicionista Rocío Vallejo criticou a atuação do presidente e afirmou que a crise prejudicou milhões de pessoas.
A acusação formal foi apresentada por 35 deputados, que solicitaram a convocação da sessão extraordinária.
Investigação e bloqueio de bens
Executivos do Ueno se entregaram às autoridades após a emissão de mandados de prisão pela Procuradoria. O órgão também acusou formalmente 27 pessoas ligadas ao banco, e a Justiça determinou o bloqueio dos bens dos investigados.
Antes de renunciar, Peña afirmou nas redes sociais que os responsáveis pelas irregularidades seriam levados à Justiça, sem exceções. Ele também pediu que os setores políticos colocassem os interesses dos poupadores acima de disputas.
O presidente havia promulgado uma lei que permitirá aos clientes do Ueno recuperar o dinheiro mais rapidamente.
A crise também provocou preocupação com o restante do sistema financeiro paraguaio. Na quarta-feira (4), circularam relatos de falhas nos aplicativos de outros bancos, enquanto clientes procuravam transferir seus recursos para outras instituições.
A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) informou que as instituições trabalhavam para atender ao aumento da demanda e afirmou que o sistema bancário continuava operando normalmente.
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