Testeira Copa
INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Calvet Filho é condenado a seis anos de prisão por racismo religioso

Ex-prefeito Calvet Filho foi sentenciado pela Justiça após proferir ofensas contra líder quilombola em rede social; a decisão impõe indenização de R$ 20 mil.

Ipolítica

Atualizada em 30/06/2026 às 18h34
Calvet Filho é condenado a 6 anos, 1 mês e 15 dias por injúria religiosa e discriminação. Defesa recorre da sentença em liberdade.
Calvet Filho é condenado a 6 anos, 1 mês e 15 dias por injúria religiosa e discriminação. Defesa recorre da sentença em liberdade.

ROSÁRIO – O ex-prefeito de Rosário, Calvet Filho, foi condenado nesta terça-feira (30) a uma pena unificada de 6 anos, 1 mês e 15 dias de reclusão em regime inicial semiaberto. A sentença, proferida pelo juiz Bruno Barbosa Pinheiro, da 2ª Vara da Comarca de Rosário, refere-se aos crimes de racismo religioso e injúria qualificada. O caso envolve ofensas proferidas contra o líder quilombola José Ribamar Cantanhede, de 73 anos, conhecido como Mestre Zé Ribeiro.

De acordo com a decisão judicial, a pretensão punitiva estatal foi julgada totalmente procedente, após ficar comprovado que o réu utilizou elementos religiosos de forma aviltante para humilhar a vítima. O magistrado destacou que as declarações promoveram uma "demonização sistêmica" de crenças tradicionais perante milhares de seguidores em redes sociais.

Clique aqui para seguir o canal do Imirante no WhatsApp 

Entenda o caso e as ofensas em rede social

O processo teve origem em uma transmissão ao vivo ("live") realizada por Calvet Filho no Instagram em janeiro de 2025. Na ocasião, o ex-gestor afirmou que a cidade teria sido "consagrada a Satanás" por um "umbandista" e "macumbeiro". As falas ocorreram após Mestre Zé Ribeiro, líder cultural do quilombo Santa Maria Miranda, entregar a faixa oficial ao atual prefeito durante a cerimônia de posse.

Em seu depoimento, a vítima relatou ter se sentido profundamente agredida em sua dignidade, destacando que toda a comunidade negra e praticantes de matriz africana da região ficaram revoltados com o tom preconceituoso das declarações. Embora Mestre Zé Ribeiro tenha se declarado católico, o juízo considerou irrelevante a sua profissão de fé para a configuração do crime, uma vez que a religião alheia foi instrumentalizada para ridicularizar um cidadão idoso.

Detalhes da sentença e indenização

A dosimetria da pena aplicada a Calvet Filho levou em conta agravantes como a idade da vítima e o fato de o crime ter sido cometido por meio de publicação em redes sociais, o que triplicou a pena do crime de injúria qualificada.

A condenação imposta pela Justiça de Rosário inclui:

  • pena unificada de 6 anos, 1 mês e 15 dias de reclusão, em regime inicial semiaberto;
  • pagamento de 120 dias-multa;
  • indenização mínima de R$ 20 mil, sendo R$ 10 mil destinados à vítima e R$ 10 mil para um fundo de preservação da identidade cultural e proteção das comunidades quilombolas de Rosário.

Defesa alega "calor da emoção" e recorre

Durante o interrogatório, o réu confirmou ter proferido as palavras gravadas, mas justificou que agiu sob "forte estado de ira" e "calor da emoção" devido a supostas perseguições políticas que estaria sofrendo na época. A defesa de Calvet Filho sustentou que os termos utilizados não teriam natureza intrinsecamente pejorativa e pediu a absolvição, argumentando que não houve intenção de atingir a coletividade.

Apesar da condenação, o magistrado concedeu ao réu o direito de recorrer da sentença em liberdade, uma vez que ele permaneceu solto durante toda a instrução processual. Logo após a leitura da decisão, a defesa interpôs recurso de apelação, e o processo será encaminhado ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) para nova análise.

Ex-prefeito contesta decisão

Em nota, Calvet Filho manifestou-se publicamente sobre a sentença, classificando-a como "injusta". O ex-gestor buscou tranquilizar seus aliados, afirmando que seus advogados já preparam o recurso para as instâncias superiores e reforçou que, por ser uma decisão de primeiro grau, seus direitos políticos permanecem mantidos.

No comunicado, o ex-prefeito também demonstrou estranheza com a rapidez da prolação da sentença e questionou a atuação de um advogado que exerce cargo comissionado na Prefeitura como assistente de acusação no processo. Calvet Filho encerrou a nota atribuindo o caso a uma tentativa de afastá-lo da vida pública e declarou estar com a "consciência tranquila".

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.