SÃO PAULO - Às vezes, pequenos detalhes são capazes de fazer uma enorme diferença. Um ponto a mais pode garantir sua aprovação no vestibular. Uma oferta US$ 1 mais alta pode fazer você vencer um lance no eBay. E meio passo em direção à beira de um penhasco, bem, não preciso dizer. Essa deve ter sido a linha de pensamento da Palm quando apresentou o Centro, seu novo celular equipado com teclado. Ele é praticamente idêntico ao popular smartphone Treo da empresa, mas um pouco menor e mais barato.
Talvez sua primeira reação seja balançar a cabeça em consternação. Isso é o melhor que a Palm conseguiu inventar? Como essa grande inovadora da década de 90 acabou trocando os pés pelas mãos? As pessoas enlouqueciam cada vez que surgia um boato sobre o lançamento de um novo aparelho da Palm no mercado. Os sites publicavam críticas de todo e qualquer ponteiro e capinha. Os nerds das empresas usavam o Graffiti, o alfabeto de reconhecimento de escrita do PalmPilot, até em whiteboards e notepads.
Foi-se o tempo. Ultimamente, os aparelhos inovadores da Palm andam meio sem fôlego. Houve um sinal de esperança momentâneo em janeiro deste ano quando o fundador da Palm, Jeff Hawkins, lançou o Foleo, o "companheiro móvel" do tipo laptop, extremamente fino e inovador na categoria, mas a Palm cancelou o produto no mês passado. Portanto, durante dois anos, os "novos" produtos da Palm foram pouco mais do que pequenas variações do Treo. O Centro parece ser mais uma.
A Palm esperava que, reduzindo o tamanho e o preço do Treo, criaria um produto totalmente diferente, um novo telefone de ponta para pessoas que nunca tiveram telefones com teclas alfabéticas (segundo a Palm, isso representa 95% dos consumidores de telefones celulares). Mas aí é que está o mais curioso: a estratégia funciona.
Vantagens
A capinha plástica arredondada do Centro, disponível nas cores vermelho e preto, tem espessura de 2,1 por 4,2 por 0,7 polegadas. Isso é cerca de um quinto de polegada menor do que o Treo 700 em todas as dimensões. Não parece muito, mas em aparelhos que você carrega para todo lado, milímetros são como quilômetros. Com 120 gramas, o Centro também é 34% mais leve do que o Treo.
O resultado final é um telefone que provoca uma impressão totalmente diferente. Parece menos frágil, menos formal, menos como um daqueles Caros Equipamentos Corporativos. Para usar um termo técnico, é mais empertigado.
O preço pode ser um apelo ainda maior para o potencial atrativo do Centro. Considerando tudo, ou seja, contrato de dois anos com a Sprint nos EUA, "economias instantâneas" de US$ 50 e reembolso de US$ 100, o telefone custa apenas US$ 100 (cerca de R$ 180). É o smartphone mais barato da história. Então, o que exatamente você sacrificaria se comprasse um smartphone de US$ 100 em vez de um que custa US$ 200 ou US$ 400?
Duvido que você saiba. Esse telefone tem recursos e mais recursos, e mais recursos. Isso não quer dizer que quanto mais recursos, melhor. Não é. Mas se você gosta de ficar contando quantos recursos existem em cada aparelho, parabéns, você encontrou o seu telefone.
Tela sensível ao toque? Ok: ele tem um delicado ponteiro plástico acoplado na parte de trás, mas também vale usar os dedos. Câmera? Ok: o Centro faz ótimas fotos e vídeos de 1,3 megapixels. Expansão para cartão de memória? Ok: até 4 GB. Bateria removível? Ok: três horas e meia de tempo de conversa. Botão liga/desliga de campainha? Afirmativo: nada de busca frenética pelos menus quando se apagam as luzes na sala de conserto.
O Centro funciona com diversas contas de e-mail; pré-configurações para Gmail, Yahoo e AOL estão inclusas. Três programas de bate-papo, AIM, Yahoo e MSN Messenger, dentro do pacote. Discagem rápida, viva voz, discagem por voz e Bluetooth também incluídos. É o celular de alta velocidade da Sprint com rede de internet de 3G para navegação rápida na web. Talvez o único recurso concebível ausente, na verdade, seja a rede sem fio Wi-Fi.
O Centro oferece ainda um recurso raro, porém totalmente bem-vindo, chamado rede dial-up. Nesse caso, o telefone permite que o seu laptop Mac ou Windows fique on-line em quase todo lugar; o telefone fica no bolso, servindo como uma antena de internet sobre uma conexão sem fio Bluetooth. Esse serviço custa nos EUA US$ 40 por mês para uso restrito do laptop ou US$ 60 para uso ilimitado, além do plano de voz (se quiser ficar on-line usando apenas seu telefone, os planos de internet da Sprint partem de US$ 15 por mês. Todos os planos de dados incluem pelo menos alguns canais de TV móvel. Isso mesmo, TV no celular).
Tradição
O Centro funciona com o mesmo sistema operacional do Palm usado há quase uma década. Por um lado, o Palm OS suplica por melhorias. Aquelas fontes sem graça e as bordas com aquele efeito de mosaico de pixels pararam no tempo, ou mais precisamente em 1996. Por outro lado, o software da Palm é maduro, rápido, bem acabado e repleto de atalhos. Existem tantas formas de navegação (é possível usar digitação, comandos de menu, atalhos de teclado ou o controlador de cinco opções sob a tela), que se passa pouquíssimo tempo parado olhando para o aparelho, confuso e intrigado, tentando descobrir qual é o próximo passo. E assim como antes, você pode abrir, editar e criar documentos no Microsoft Word e Excel diretamente no telefone.
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