Substância de brinquedo tem efeito potente sobre o cérebro

G1

Atualizada em 27/03/2022 às 13h52

SÃO PAULO - Qualquer neurocientista aprovaria o recall do brinquedo Bindeez, que deixou de ser vendido nos Estados Unidos, na Austrália e no Canadá. Se ingeridos, os componentes do Bindeez podem produzir no organismo uma substância muito parecida com um neurotransmissor (mensageiro químico do cérebro) potentíssimo, o GHB, ou ácido gama-hidroxibutírico. Ele ainda é pouco estudado, mas já se sabe que ele pode tanto "excitar" o sistema nervoso, deixando-o hiperativo, quanto "deprimi-lo", diminuindo sua atividade para níveis perigosos.

Não se trata de uma substância artificial: o GHB é um mensageiro químico produzido pelo próprio organismo. Nas concentrações em que ocorre naturalmente no sistema nervoso, ele é um neurotransmissor excitatório. Isso explica os efeitos iniciais da versão sintética da substância, também conhecida como "ecstasy líquido": euforia, aumento do desejo sexual e da sociabilidade.

No entanto, basta um pequeno aumento na dose para que a substância ganhe efeitos sedativos, invertendo sua ação inicial de excitatória para inibitória no sistema nervoso. Não é incomum que ele cause várias horas de sono profundo e, logo depois, um despertar repentino quando seus níveis no cérebro caem para valores mais normais.

No geral, a ação do GHB sobre o organismo se assemelha à do álcool puro. Doses altas podem causar convulsões, vômito, inconsciência e uma diminuição perigosa do ritmo respiratório. O consumo da droga junto com bebidas alcoólicas causa um atraso em seus efeitos e pode acabar sendo fatal, pois o usuário tende a consumir uma quantidade maior achando que o "barato" ainda não veio por causa da dose pequena.

O GHB é vendido como medicamento controlado em vários países, sendo usado no tratamento da insônia e do alcoolismo, entre outros problemas de saúde ligados ao sistema nervoso.

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