John Riccitiello, presidente da Electronic Arts, mostra um gráfico a analistas de Wall Street - ele não está feliz. A tabela não mostra prejuízos ou perdas de mercado - ela indica que a nota média da EA caiu 5 pontos em 2007 no site Metacritic.com, que compila críticas de jogos em diversas publicações e as resume em um número de 0 a 100.
A preocupação reflete um momento em que a indústria de games dos EUA, que movimenta US$ 18 bilhões por ano, começa a se organizar para evitar que "notas baixas" resultem em "fracasso de vendas" de seus jogos.
Jeff Gertsmann, ex-editor do site Gamespot, foi demitido no final de 2007. O motivo da demissão teria sido a crítica negativa de Jeff ao jogo "Kane & Lynch: Dead men", que aparecia em publicidades no site. A polêmica cresceu quando o texto do jornalista foi alterado e o vídeo em que ele analisava o jogo foi retirado do ar. A direção do Gamespot negou pressão dos anunciantes e refutou qualquer ligação entre o texto e a demissão de Jeff. Depois dele, outros dois críticos de games deixaram o Gamespot, dizendo-se insatisfeitos com os rumos editoriais.
Em janeiro, o editor da revista "Electronic Gaming Monthly" (EGM), uma das principais publicações do setor, Dan "Shoe" Hsu, foi direto ao ponto em seu editorial. Ele acusou as empresas Sony, Midway e Ubisoft de boicotarem a revista depois que alguns de seus jogos receberam "notas baixas" na seção de análises.
Recentemente, a "EGM" e as outras publicações de sua editora Ziff Davis mudaram seu sistema de notas. A escala numérica, de 0 a 10, deu lugar à alfabética - mudança que passou a valer também para a revista "Games for Windows" e o site 1Up. Segundo os editores, a medida tenta facilitar a compreensão do leitor baseando-se no sistema de notas escolares dos Estados Unidos. Afinal, um jogo com nota 5, segundo eles, era interpretado por muitos como "ruim", e não como "médio".
Bom, médio, ruim
“Nossos principais jogos são medidos e resumidos com precisão por essas avaliações e isso é algo muito importante. Precisamos nos recuperar", diz Riccitiello, da EA.
Na semana passada, ele e outros executivos se referiram ao Metacritic e a quanto o site se tornou influente na indústria de games. Lançado em 2001 por Marc Doyle, sua irmã Julie Doyle e Jason Dietz, um ex-colega da escola de Direito da Universidade de South California, o Metacritic é agora parte da companhia de tecnologia online CNET Networks.
“Nós não criamos o Metacritic como algo voltado para a indústria. Seu objetivo sempre foi educar o usuário”, afirmou Doyle. Iniciado originalmente para compilar resenhas de filmes, o Metacritic rapidamente se diversificou em outras formas de entretenimento, sendo que os jogos são atualmente responsáveis pela maior parte do tráfego do site.
“Um filme custa de US$ 10 a US$ 12 e é um investimento de tempo de duas horas. Quer os críticos gostem ou não, não é algo muito importante. Mas um jogo custa US$ 60 e ocupa de 20 a 30 horas de sua vida, então as pessoas querem saber com antecedência se um jogo é bom”, declarou Doyle.
Pressão dos fabricantes
Sendo o responsável pelo sistema de pontuação dos jogos do Metacritic, Doyle recebe muita pressão por parte de alguns fabricantes de jogos e críticos que sentem não estar sendo tratados de forma justa. O sistema de Doyle funciona por pesos, o que significa que as cotações de sites ou publicações que ele considera que têm maior credibilidade contam mais na nota final. Isso significa que a revista de jogos finlandesa Pelit entra no balanço, enquanto a revista hollwyoodiana Variety, não, apesar de sua experiência de mais de 100 anos fazendo cobertura de entretenimento.
“A única coisa desagradável a respeito de sites que compilam as notas… é quando as empresas de jogos usam isso contra nós. Às vezes você ouve uma empresa dizer 'Ei, você tem a nota mais baixa do Metacritic, dá pra mudar isso?'”, diz Dan Hsu.
Alguns críticos apontam para o fato de que há um descompasso crescente entre as notas para os chamados jogos casuais e a popularidade desses jogos. “Mario Party 8” , da Nintendo e “Carnival Games” da Take-Two, por exemplo, tiveram notas baixas mas venderam bem.
“Parece um daqueles filmes horríveis que faturam milhões na primeira semana, mas os críticos detestam”, declarou Doyle. “Algumas coisas são à prova de críticos, mas não acho que os críticos sejam menos qualificados para julgá-las”.Esse é um dos pontos de vista, mas Riccitiello tem outro: “você não desconta Metacritic, você desconta cheques”.
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