Tecnologia

Máquina promove revolução entre câmeras

Quando você pressiona o botão do obturador disparador, esse espelho vira para fora do caminho da luz.

G1

Atualizada em 27/03/2022 às 13h42

Olhando rapidamente, você jamais imaginaria que a nova câmera digital Alpha A300 da Sony representa uma enorme inovação técnica. Para descobrir do que estou falando, você precisará fazer um passeio por dentro dessa máquina. Mantenha as mãos e os pés dentro do carrinho durante todo o percurso.

Em uma câmera reflex de lente única comum, ou single-lens reflex (SLR) - aqueles modelos profissionais grandes e pretos -, a luz entra pela lente e é decomposta por um espelho semi-transparente. Uma parte da luz vai para o visor ocular e a outra parte vai para o sensor de foco automático.

Quando você pressiona o botão do obturador disparador, esse espelho vira para fora do caminho da luz, revelando – aha! – um pequeno sensor de imagem retangular, o chip de computador que grava a foto.

Mistério

Com isso, você já aprendeu o suficiente para responder a um dos grandes mistérios das câmeras digitais: por que você precisa segurar essas câmeras na altura dos olhos? Por que não é possível enquadrar uma foto usando um painel SLR, como se faz com as pequenas câmeras de bolso?

Na verdade, alguns modelos recentes de SLR de fato possuem esse recurso Live View, mas na maioria dos casos é um desastre. Ele funciona virando o espelho e tirando-o do caminho, para que a luz da lente atinja o sensor de imagem, que alimenta a imagem na tela. O problema é que, quando o espelho sobe, nenhuma luz alcança o sensor de foco automático e por isso a câmera não consegue focar.

Vejamos o que acontece quando você pressiona o botão do obturador. Há um som metálico barulhento à medida que o espelho desce novamente; a tela fica preta; a câmera calcula o foco e a exposição; o espelho sobe novamente; a tela é reativada; e finalmente, cerca de um segundo depois, a foto é gravada.

Em outras palavras, o Live View nas câmeras que já estão no mercado é lento, barulhento e extremamente confuso. Toda essa parafernália ocorre porque o sensor de imagem da câmera trabalha em dobro: ele é responsável por fornecer à tela uma visualização em tempo real e por gravar a foto.

A inovação técnica da Sony na A300, portanto, foi a seguinte: “Ei cara esperto, instale outro sensor!”

Nova experiência

Nesta câmera, ao ligar o Live View, uma luz é enviada daquele espelho principal para um segundo sensor, este dedicado exclusivamente a alimentar a tela de visualização. O sensor de foco automático funciona normalmente enquanto você compõe a foto, já que o espelho nunca precisa virar.

Como resultado, o Live View passa a ser uma experiência totalmente diferente. A câmera foca rapidamente à medida que você aponta a lente, sem nunca apagar a tela. Quando você pressiona o obturador, a tela não fica no liga-desliga-liga, não há barulho metálico e não há nenhuma apresentação cambaleante de ginástica artística do espelho dentro da câmera.

Nesse sentido, a A300 proporciona uma enorme sensação de se estar usando uma câmera compacta. E era exatamente isso que a Sony esperava. A empresa tem como alvo para este modelo de 10 megapixels (custo de US$ 763 com lentes com zoom de quatro vezes) as pessoas que estão se graduando em câmeras de bolso e buscando algo mais sério.

Por cerca de US$ 140 a mais, é possível comprar a irmã de 14 megapixels dessa câmera, a A350. Não caia nessa. Dez megapixels já é resolução suficiente para impressões do tamanho de uma minivan; as fotos de 14 megapixels só vão consumir seu disco rígido mais rápido e deixar a câmera mais lenta. Além disso, se você fizer a conta, descobrirá que uma foto de 14 megapixels contém apenas 18% mais pixels em cada dimensão do que uma foto de 10 megapixels, não 40%, como se poderia naturalmente supor.

Sucesso fotográfico

Na verdade, os fotógrafos que levam o assunto a sério tradicionalmente torcem o nariz para a idéia de compor fotos na tela. Somente um visor ocular mostra a verdadeira cena como a câmera a vê.

Mas quando funciona adequadamente, o Live View pode contribuir absurdamente para seu sucesso fotográfico, sobretudo quando a tela inteira gira para cima ou para baixo, como no caso da A300.

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