Transporte coletivo

Frota continua defasada um ano após o aumento das tarifas de ônibus

Acordo para aumento era a prefeitura integrar 300 novos ônibus até dezembro, o que não ocorreu.

Ronaldo Rocha/ O Estado

Atualizada em 27/03/2022 às 12h42

SÃO LUÍS - Domingo, dia 12, fez um ano que as tarifas de ônibus de São Luís tiveram aumento. O reajuste médio de 21,59% no serviço de transporte de passageiros foi anunciado, na época, pelo então secretário municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), Ribamar de Oliveira, como forma de solucionar as constantes pressões feitas pelos sindicatos das Empresas de Transporte de Passageiros (SET) e dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários (STTREMA) e dar melhorias ao serviço prestado à população. Como argumento, a Prefeitura de São Luís prometeu integrar 300 novos veículos à frota da capital até o mês de dezembro de 2010, o que não ocorreu.

Segundo dados da SMTT divulgados em janeiro deste ano, apenas 222 novos coletivos, do total de 300 acordados, foram incorporados às linhas de transporte de São Luís. A questão já foi alvo de uma Ação Civil Pública da 15ª Promotoria do Consumidor, que tem como titular a promotora de Justiça Lítia Cavalcanti.

Segundo ela, no parecer jurídico, a tarifa de R$ 1,30, paga pelo menos duas vezes por dia pelo usuário (ida e volta do trabalho), corresponde ao quantitativo de R$ 2,60. Considerando-se que, em média, o mês tem 20 dias úteis, o trabalhador gasta por mês R$ 52,00, o que corresponde, nos índices atuais, ao percentual de 10,196% do salário mínimo vigente, sem os descontos.

No caso dos consumidores que utilizam a linha integrada, os valores se duplicam, totalizando R$ 84,00 por mês, o que corresponde a 16,47% do salário mínimo.

Com o último reajuste, as passagens de nível I passaram de R$ 1,10 para R$ 1,30; as de nível II de R$ 1,30 para R$ 1,60 e as de nível III de R$ 1,70 para R$ 2,10.

Os 300 novos veículos prometidos pela prefeitura deveriam ser agregados à frota da seguinte forma: março, 10; abril, 30; maio, 52; junho, 54; julho, 65; agosto, 10; setembro, 15; outubro, 19; novembro, 21 e dezembro, 24.

Reclamação

A população reclama da superlotação e falta de estrutura dos Terminais de Integração de São Luís; da precariedade de parte da frota de coletivos e da deficiência na sinalização de trânsito da capital. "O transporte público e o trânsito de São Luís estão um caos. Para onde você olha há problemas e pouca providência", disse o autônomo Rogério Santos.

O comerciante Raimundo Gomes complementou. "O problema do transporte vai permanecer. A Prefeitura não pressiona as empresas e o serviço permanecerá o mesmo. Ninguém olha para o cidadão de bem, que paga caro pelo serviço", disse.

A reportagem de O Estado foi até a SMTT para pedir explicações ao secretário municipal de Trânsito e Transportes, Clodomir Paz, sobre o assunto, mas foi impedido de entrar no órgão público. Um funcionário, não identificado, responsável por monitorar a entrada do prédio, disse que não acionaria a assessoria de comunicação ou o gabinete do secretário e que não permitiria a entrada da reportagem do jornal. Procurado, o SET disse que o controle dos veículos que integram a frota é feito pela Prefeitura de São Luís.

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