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Coluna do Sarney
José Sarney é ex-presidente da República.
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Carnaval, alegria do povo

Carnaval — festa de origem europeia que se reinventou no Brasil como expressão máxima da cultura popular, misturando ritmos, cores e tradições, e transformando ruas e avenidas em palcos de alegria coletiva.

José Sarney

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Passou 2025 e o Carnaval veio chegando. Já começou a folia, quando as coisas vão esquentar e as águas, rolar: as águas de inverno e aquelas que passarinho não bebe — só peru na véspera de Natal.

O Carnaval nos foi trazido pelos portugueses, e suas origens, segundo dizem, remontam às festas pagãs da Grécia muito tempo antes de Cristo. Falam que era uma festa que louvava as colheitas e celebrava a fertilidade da terra. E — claro — caíam na gandaia.

Mas o que se sabe mesmo é que chegou ao Brasil no bojo das caravelas portuguesas que traziam as festas populares da Europa, a maior de todas em Veneza, com direito a máscaras, fantasias e outras roupas mais.

No Brasil, como o futebol, tornou-se um folguedo do povo que hoje tem a marca da cultura popular brasileira. Aqui as nossas estações não são reguladas pela rotação da Terra em torno do Sol, mas pelas festas: Carnaval, São João, tempos sem festa e Natal. Diz-se que o nome Carnaval vem do latim "carne vale", que significa adeus à carne, com o controle dos prazeres mundanos.

A festa foi associada à religião lá pelos anos 500, depois de Cristo, e era o tempo da preparação para os 40 dias quaresmais, em que todos teriam que fazer jejum e rezar, preparando o espírito para lembrar o martírio de Jesus. Então, o homem, que dá um jeitinho para tudo, achou que deviam se preparar para os dias sem pecados pecando! E haja festa, vinhos e mulheres.

Aliás, por falar em mulheres, lembro do nosso grande poeta Manuel Bandeira — de quem fui amigo —, nos seus versos: "Que mais queres, / Além de versos e mulheres?... / — Vinhos... o vinho que é o meu fraco!... / Evoé Baco!"

Cabral, quando saltou nas praias de Porto Seguro, descobrindo o Brasil, encontrou as índias "descobertas" e logo armou o nosso primeiro Carnaval. Saltaram alguns marinheiros na praia e com o maracá dos índios e uns tambores, para confraternizar, fizeram uma batucada. E foi uma algazarra geral.

O Carnaval é uma festa da imaginação vivida de um jeito em cada lugar e em cada um de nós. O do Rio sempre foi um teatro a céu aberto, com os enredos das escolas na Marquês de Sapucaí. São Paulo já apresenta um espetáculo de altíssima qualidade. Tanto lá como em diversas capitais imperam os megablocos, juntando na dança centenas de milhares de pessoas — mais de 300 mil foliões brincando juntos, alguns passando de um milhão! Nas cidades Brasil afora, também se brinca na rua com toda a força e alegria como no fim do século passado.

No Maranhão, o Carnaval sempre foi marcante. Com sua forte identidade cultural, misturou ritmos que não se encontram em outros lugares: matracas e pandeiros se juntam ao reggae e às marchinhas, arrastando os foliões num espetáculo à parte. Quem ainda não foi, precisa ir ao Maranhão conhecer a mágica do bumba meu boi convivendo com o reggae.

Roseana, que gosta de alegria, renovou o nosso Carnaval e outras festas do nosso folclore — uma maneira de salvar a cultura popular, a grande força de identidade do brasileiro. Hoje o Maranhão tem um dos grandes carnavais do Brasil. E está de arromba. Haja perna para pular e força para bebericar.

É tempo de alegria, a marca do povo brasileiro.

Afinal, dizia-me um caboclo do Maranhão em relação à vaquejada (outra festa que marca a força cultural do sertanejo):

“Nada mais triste do que o fim de uma vaquejada, a saudade da dança de roda.”

Perguntei: E qual o consolo?

“A certeza de que, na outra semana, vai ter outra vaquejada.”

Um irmão de minha avó faleceu num sábado de Carnaval. Mas um tio meu, farrista e carnavalesco, já tinha mandado fazer a fantasia. Então pediu à família: “Só me comuniquem o falecimento na quarta-feira, para eu começar meu luto.”

Agora o Governador Brandão está fazendo no Maranhão um dos maiores carnavais, na Litorânea e em outros circuitos. Nomes consagrados como Ivete Sangalo, Léo Santana, Alok e o Bloco da Anitta etc. estão arrastando mais de meio milhão de pessoas!

Quando ouço reclamarem que estão gastando dinheiro com festas, sempre contesto: o povo, que sofre tanto, tem que ter direito de curtir dias de alegria.

E haja samba, pagode, forró, piseiro, pop, axé, funk, reggae, coco de roda, tambor de crioula…


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