Acordo Mercosul-UE

Senado negocia salvaguardas do acordo Mercosul–União Europeia com a Vice-Presidência

Parlamentares discutem mecanismos para proteger setores sensíveis do agro sem reabrir negociações do tratado comercial.

Ipolítica, com informações do Brasil 61

Senado discute com Alckmin salvaguardas do acordo Mercosul–União Europeia para reduzir impactos ao agronegócio brasileiro.
Senado discute com Alckmin salvaguardas do acordo Mercosul–União Europeia para reduzir impactos ao agronegócio brasileiro. (Cadu Gomes/VPR)

BRASÍLIA – O Senado negocia salvaguardas do acordo Mercosul-União Europeia com a Vice-Presidência da República para reduzir possíveis impactos negativos ao agronegócio brasileiro. O tema foi debatido nesta quarta-feira (11) em reunião entre integrantes da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) e o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB).

O encontro ocorreu após preocupações levantadas por produtores rurais sobre dispositivos incluídos no tratado por parlamentares europeus. O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia foi assinado em janeiro, mas ainda depende de ratificação pelos parlamentos dos países envolvidos.

Discussão sem reabrir negociações

O presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou que o objetivo do grupo de trabalho criado no Senado é avaliar instrumentos legais internos capazes de mitigar impactos em setores sensíveis, sem a necessidade de reabrir a negociação internacional.

“Esse acordo não pode ser alterado bruscamente, porque isso demandaria novas rodadas de negociação e atraso na tramitação. O grupo de trabalho vem para discutir que instrumento podemos usar para proteger o produtor e garantir que ninguém saia lesado”, declarou o senador.

Segundo Trad, existe a possibilidade de votação do tratado no início de março, caso a Câmara dos Deputados aprove o texto até o fim de fevereiro.

Salvaguardas previstas no tratado

O acordo envolve 31 países, soma Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 22 trilhões e abrange um mercado de cerca de 720 milhões de habitantes, configurando o maior bloco de livre comércio do mundo. Apesar disso, pressões de setores agrícolas europeus resultaram na inclusão de travas às importações de produtos sul-americanos.

Entre os mecanismos previstos, a Comissão Europeia poderá abrir investigação e intervir no comércio se o preço de um produto do Mercosul for ao menos 5% inferior ao praticado na União Europeia e o volume de importações isentas de tarifa crescer mais de 5%.

Nesses casos, os países europeus poderão elevar temporariamente as tarifas para conter prejuízos considerados graves.

Após a reunião, Alckmin afirmou que qualquer contramedida será analisada com “todo o cuidado”, em diálogo com o Congresso e os setores produtivos.

Preocupação com o agronegócio

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Senado, destacou a apreensão com a entrada de produtos europeus no mercado brasileiro.

“Nós temos que trabalhar para que alguns segmentos não sejam fortemente atingidos, como o leite. O setor lácteo passa por uma crise interna. Então, existe uma preocupação com a concorrência dos produtos que vêm de lá para cá”, afirmou.

Trâmite no Congresso

Após a assinatura do acordo, realizada no Paraguai, o texto foi encaminhado pelo Executivo ao Congresso Nacional. Atualmente, a proposta tramita na Câmara dos Deputados e, se aprovada, seguirá para análise do Senado.

Para acompanhar o processo e intermediar o diálogo com os ministérios e setores produtivos, a CRE instituiu um grupo de trabalho temporário, formado pelos senadores Nelsinho Trad e Tereza Cristina.

A expectativa é que o tratado não enfrente grandes resistências nos parlamentos sul-americanos. Há ainda a possibilidade de aplicação provisória do acordo por parte da União Europeia, conforme cada país conclua sua ratificação, embora a decisão final possa levar até dois anos.

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