Polícia apreende veículos de patroa presa por agredir empregada doméstica grávida no Maranhão
Carro e moto sem placa estavam abandonados em frente à casa de Carolina Sthela, presa por suspeita de agredir empregada doméstica grávida em Paço do Lumiar.
SÃO LUÍS – A Polícia Civil apreendeu, na manhã deste sábado (9), dois veículos deixados em frente à casa da empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, de 36 anos, presa por suspeita de agredir uma empregada doméstica grávida de 19 anos em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís.
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Segundo a polícia, um carro e uma motocicleta teriam sido abandonados por Carolina e pelo marido, Yuri Silva do Nascimento, antes da fuga do casal para o Piauí.
Os dois veículos estavam sem placas e foram recolhidos para passar por perícia. A investigação busca identificar se os automóveis podem auxiliar na apuração do caso e na reconstrução da fuga do casal.
Prisão foi mantida após audiência de custódia
Carolina Sthela Ferreira dos Anjos teve a prisão mantida pela Justiça do Maranhão na tarde de sexta-feira (8), durante audiência de custódia realizada na 2ª Central das Garantias da Comarca da Ilha de São Luís.
Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP), a empresária será encaminhada para uma unidade prisional feminina do sistema penitenciário de São Luís, onde permanecerá à disposição da Justiça.
O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) informou ao g1 Maranhão que o processo tramita sob segredo de justiça.
Depoimento cita anel avaliado em R$ 5 mil
Durante o depoimento prestado à Polícia Civil, Carolina Sthela declarou que o anel que teria motivado as agressões estava avaliado em R$ 5 mil.
A empresária também afirmou estar grávida de três meses e relatou problemas de saúde, como pressão alta e infecção urinária. No entanto, a polícia informou que a gestação ainda não foi confirmada.
Na quinta-feira (7), ela foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) para realização de exames, mas o resultado ainda não havia sido divulgado.
A defesa da empresária informou que pretende solicitar prisão domiciliar, alegando questões de saúde, gravidez e a necessidade de cuidar do filho.
Empresária é investigada por cinco crimes
Segundo a Polícia Civil, Carolina Sthela é investigada pelos crimes de tentativa de homicídio triplamente qualificado, cárcere privado, calúnia, difamação e injúria.
A tipificação de tentativa de homicídio triplamente qualificado considera agravantes como motivo torpe, uso de meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.
O delegado-geral da Polícia Civil, Augusto Barros, afirmou que as investigações continuam e que outros elementos do inquérito ainda serão analisados nos próximos dias.
“A gente está trabalhando com as investigações técnicas que estão sendo realizadas dentro da investigação criminal. A investigação está em curso, apesar da gente ter muitos dados que estão postos e apresentados à sociedade, ainda há outros que dependem de confirmação e que devem acontecer nos próximos dias”, declarou o delegado.
Prisão aconteceu no Piauí
De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), Carolina Sthela foi presa enquanto tentava fugir. Ela foi localizada em um posto de combustíveis em Teresina, próximo à sede da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI). A defesa nega que ela estivesse fugindo.
Segundo a Polícia Civil do Piauí, a empresária estava hospedada na casa de familiares na capital piauiense e vinha sendo monitorada.
O diretor de inteligência da Polícia Civil, delegado Yan Brayner, afirmou que Carolina abastecia o veículo com a intenção de possivelmente deixar o estado. Ainda segundo ele, o marido e o filho de seis anos da empresária estavam no carro no momento da abordagem.
A advogada Nathaly Moraes afirmou que Carolina estava no Piauí porque não tinha familiares no Maranhão com quem pudesse deixar o filho de seis anos e, por isso, teria levado a criança para ficar sob os cuidados de pessoas de confiança.
PM investigado apresentou versões diferentes
O policial militar Michael Bruno Lopes Santos, suspeito de participação nas agressões, se apresentou à polícia também na quinta-feira (7).
Em depoimento prestado à Corregedoria-Geral da Polícia Militar, o PM negou envolvimento no caso. Já em depoimento à Polícia Civil, apresentou uma versão diferente e admitiu que esteve na residência e participou das agressões, mas alegou que a maior parte dos atos teria sido cometida por Carolina Sthela. Ele também contestou a versão apresentada pela vítima.
Segundo a polícia, Michael Bruno seria o homem citado pela empregada doméstica como um dos responsáveis pelas agressões e pela tortura sofridas por ela na residência onde trabalhava. O policial afirmou que conhecia Carolina Sthela há seis anos.
Ainda conforme o depoimento à Corregedoria, Michael Bruno relatou que, no dia 16 de abril, recebeu uma ligação do marido da empresária pedindo que entregasse um documento na casa do casal para aumento de score de um cliente. No dia seguinte, afirmou ter ido ao local por volta das 8h para fazer a entrega.
A Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Maranhão informou que abriu procedimento interno para apurar a participação do policial no caso.
Em nota, a defesa de Michael Bruno afirmou que ele não praticou agressões nem atos de violência e declarou que, até o momento, não teve acesso integral aos autos da investigação.
PMs que atenderam ocorrência são investigados
Quatro policiais militares que atenderam a ocorrência também estão sendo investigados. Segundo a Polícia Militar, foi instaurado procedimento administrativo para apurar a conduta dos agentes. Até o momento, conforme a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, eles não foram afastados das funções.
Segundo Carolina, um dos agentes teria dito que, devido aos hematomas apresentados pela vítima, ela deveria ter sido levada para a delegacia, o que não aconteceu.
“Parou uma viatura no meio da rua, eles vieram aqui de manhã. Mas veio um policial que me conhecia. Sorte minha, né? E sorte dela também. Aí eu expliquei para ele o que tinha acontecido. Aí ele disse: ‘Carol, se não fosse eu, eu teria que te conduzir para a delegacia, porque ela está cheia de hematomas’. Aí eu disse: ‘era para ter ficado era mais, não era para ter saído viva’”, afirmou Carolina nos áudios divulgados.
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