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TJMA suspende lei que vetava mulheres trans em banheiros femininos

Decisão liminar do TJMA suspende lei de São Luís que restringia acesso de mulheres trans a banheiros femininos

Ipolítica

TJMA suspende lei de São Luís que proibia mulheres trans de utilizarem banheiros femininos.
TJMA suspende lei de São Luís que proibia mulheres trans de utilizarem banheiros femininos. (Leonardo Mendonça / Câmara de São Luís)

SÃO LUÍS – O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) decidiu, nesta quarta-feira (3), suspender os efeitos da Lei Municipal nº 7.792/2025, que proibia o acesso de mulheres trans a banheiros femininos em órgãos públicos e instituições privadas de São Luís.

A decisão foi tomada em caráter liminar no julgamento de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) apresentada pela Defensoria Pública do Estado do Maranhão (DPE-MA).

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Questionamento da lei

A norma havia sido promulgada pela Câmara Municipal de São Luís em setembro de 2025, após a derrubada do veto ao Projeto de Lei nº 0201/2023, de autoria do vereador Marquinhos (União Brasil).

Desde a entrada em vigor, a legislação passou a ser alvo de questionamentos por entidades ligadas à defesa dos direitos humanos e também pelo Governo do Maranhão.

Na ação protocolada em 19 de maio, a Defensoria Pública argumentou que a lei afronta princípios constitucionais como a dignidade da pessoa humana, a igualdade e a não discriminação.

Fundamentação da decisão

Segundo a DPE-MA, a legislação municipal contraria entendimentos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre identidade de gênero e proteção dos direitos da população trans.

A ação também menciona o Tema 484 de repercussão geral do STF, que trata de direitos relacionados à identidade de gênero.

Para a Defensoria, a norma afeta diretamente um grupo historicamente vulnerabilizado e é incompatível com dispositivos da Constituição Federal e da Constituição do Estado do Maranhão.

Efeitos da liminar

Com a decisão do TJMA, a aplicação da lei fica suspensa até o julgamento definitivo da ADI.

Na prática, mulheres trans voltam a ter garantido o acesso aos banheiros femininos nos locais abrangidos pela legislação municipal.

O mérito da ação ainda será analisado pelo tribunal, que decidirá posteriormente se a norma será mantida ou declarada inconstitucional de forma definitiva.

O Governo do Maranhão já havia informado anteriormente que avaliava medidas judiciais contra a lei. A decisão desta quarta-feira representa o primeiro posicionamento do Judiciário maranhense sobre a validade da norma.

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